Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
Gustavo Almeida

É tempo de babão

Até a posse dos eleitos não vão existir problemas e a pauta será quase exclusivamente voltada ao exercício vergonhoso do puxa-saquismo.

Palácio de Karnak, sede do Governo do Piauí (Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)

Passadas as eleições de 2026, com vencedores e vencidos definidos, começa um período tortuoso para qualquer pessoa sensata e que se sustenta à margem do puxa-saquismo. Inicia-se o tempo dos babões. De agora até as datas das posses previstas para janeiro, o que não vai faltar é gente puxando saco dos vencedores na tentativa de ser visto de alguma forma.

E não pense que babões são só aqueles considerados “urêa seca”. Aqui no Piauí, por exemplo, os maiores babões são deputados, secretários que querem continuar, novos postulantes a secretários, parte dos profissionais da imprensa, lideranças do interior que tentam passar a ideia de que têm moral nos palácios da capital, políticos derrotados à espera de consolo, etc. Gente de toda ordem. Importantes e desimportantes.

Nesses dias, é difícil abrir uma rede social ou assistir um desses programas de TV que promovem políticos e não vermos elogios rasgados, projeções maravilhosas sobre o futuro de determinadas lideranças e análises generosas sobre quem venceu. É um período em que a turma não enxerga problemas em absolutamente nada. A única pauta é levantar a bola de quem ganhou, falar do sucesso eleitoral de fulano, da grande estratégia da campanha de beltrano e especular sobre os governos que vão se iniciar.

É incrível como parlamentares eleitos no Piauí não falam de desafios para os próximos quatro anos de governo, não apontam erros que podem ser corrigidos e não apresentam demandas a serem enfrentadas. Não tratam em momento algum sobre projetos de governo, sobre ações de gestão. As entrevistas e discursos são só para elogiar, levantar a bola do chefe, falar do palanque vitorioso na eleição e alimentar o próprio ego.

Nesta semana, um deputado estadual reeleito foi às redes sociais escrever um textão sobre o fato de que, pela primeira vez em sua carreira política, toda a chapa dele saiu vencedora. O tom é de total deslumbramento com o feito.

É natural que os políticos se gabem e façam elogios ao chefe que venceu, do mesmo modo que é compreensível que os derrotados fiquem reclusos por um tempo. Contudo, é recomendável avaliar o nível de babação e fazer uma autocrítica sobre essa postura elogiosa exagerada. Babão não é um bicho admirável, nem mesmo quando possui mandato.

Mais de Gustavo Almeida