O deputado Evaldo Gomes (PT) conquistou no último domingo (4) o quinto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Piauí. E dessa vez, diferente das outras quatro eleições anteriores, ele não ganhou no sufoco. Foi também a primeira vez que Evaldo se elegeu no meio de gente grande, sem precisar das famosas “chapinhas” que até então caracterizavam bastante a sua trajetória política.
Filiado ao PT após o governador Rafael Fonteles (PT) impor que a sua base aliada concentrasse as disputas proporcionais em apenas três grandes partidos (federação do PT, MDB e PSD), Evaldo tinha sua reeleição vista como difícil pela maioria das pessoas que analisam o cenário político. O deputado havia sido o menos votado entre os 30 eleitos no pleito de 2022 – com apenas 20 mil votos – e precisaria atingir uma votação que nunca teve em suas eleições anteriores para ter alguma chance na chapa.
É importante destacar que o próprio Evaldo sempre demonstrou convicção de que dessa vez teria um grande salto na votação, chegando a afirmar, com certo grau de soberba, que só nunca teve 40 ou 50 mil votos porque nunca foi necessário ter nas conjunturas eleitorais anteriores em que disputou. As falas tinham, indiscutivelmente, um certo exagero, mas Evaldo não estava de todo sem razão. Não era só otimismo. Era convicção.
Com o fim da apuração no dia 4, Evaldo foi reeleito com 38.646 votos, deixando outros seis deputados estaduais de mandato para trás. Nomes como Hélio Isaías e Nerinho, do PT, tiveram menos votos que ele. Até então, o melhor desempenho de Evaldo numa eleição tinha sido em 2018, quando alcançou 26 mil votos, ainda filiado ao antigo PTC e num palanque que tinha o atabalhoado Dr. Pessoa como candidato a governador. Em 2022, como já mencionado, viu a votação despencar para 20 mil e escapou por pouco da derrota.
Ao longo do governo de Rafael Fonteles, Evaldo controlou politicamente a Secretaria de Esportes, pasta onde colocou a mulher como secretária. Não é uma grande estrutura se comparada a outros órgãos da administração estadual, mas o parlamentar soube aproveitá-la ao máximo para angariar novos apoios e dar assistência às bases eleitorais que já tinha. A convicção dele no salto de votos era sempre alicerçada na atuação com a pasta. O resultado surpreendeu a maioria, mas Evaldo já o projetava.
Em entrevista a jornalistas na Assembleia Legislativa nesta semana, o deputado reeleito disse que o resultado de 2026 marca o início de uma nova história em seu percurso político. “Eu vou começar uma nova história, porque muitos diziam que eu não ganhava a eleição, porque sempre disputei por chapinha. Eu sempre disse a vocês jornalistas que cada eleição tem uma história, tem uma conjuntura política.”, declarou.
Os quase 40 mil votos, de fato, o colocam numa outra condição na análise política. Após quatro eleições sendo visto como uma espécie de “azarão”, Evaldo sai cacifado para iniciar o quinto mandato. Não há como negar que, desta eleição, ele saiu por cima.



