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Niéde Guidon: um ano sem a guardiã da Serra da Capivara

Responsável por revelar ao mundo a riqueza arqueológica da Serra da Capivara, a pesquisadora deixou um legado que transcende gerações.

“O que fazemos em vida ecoa na eternidade.” A frase do filme Gladiador descreve bem o poder do legado. Há um ano, o mundo se despedia da pesquisadora e arqueóloga Niéde Guidon, que foi presença importante nos estudos sobre a origem do homem americano e deixou sua passagem eternizada na história piauiense e mundial.

Niéde Guidon (Foto: André Pessoa)

Filha de uma brasileira e um francês, Niéde nasceu em 12 de março de 1933, na cidade de Jaú, São Paulo. A jovem estudiosa formou-se em História pela Universidade de São Paulo (USP), em 1959, e se especializou em Arqueologia Pré-Histórica na Universidade de Paris-Sorbonne, na França.

Quando ainda vivia em Paris, a pesquisadora fez uma descoberta que revolucionou estudos sobre o povoamento das Américas. No início dos anos 1970, ela passou a fazer expedições no  Parque Nacional da Serra da Capivara, no sul do Piauí, onde foram encontradas inúmeras pinturas rupestres, evidências arqueológicas que indicam a presença humana no continente há muito mais tempo do que apontavam as teorias tradicionais. 

Suas descobertas abriram novos debates científicos sobre a chegada dos primeiros humanos à América e colocaram o Brasil em destaque nas discussões internacionais sobre a pré-história. O empenho de Niéde na descoberta e preservação desse acervo, a tornou referência para pesquisadores, estudantes e visitantes interessados na história da humanidade. 

Niéde Guidon na Serra da Capivara (Foto: André Pessoa)

Além das pesquisas de campo, a arqueóloga franco-brasileira se dedicou à divulgação científica através de artigos, livros e obras de referência, entre elas “Peintures Préhistoriques du Brésil”, onde documenta as milhares de pinturas rupestres da Serra da Capivara. Também foi idealizadora do Museu do Homem Americano, no município de São Raimundo Nonato, que reúne milhares de peças arqueológicas localizadas na região e que preserva a memória dos povos que habitaram o território há milênios. 

Niéde Guidon se despediu da vida terrena em 4 de junho de 2025, mas o legado construído por ela permanece vivo não apenas em suas descobertas científicas, mas também nas instituições e no conhecimento que ajudou a construir para as futuras gerações.

“São Raimundo Nonato hoje é o que é graças à força e à perseverança do seu povo, mas todos nós temos que reconhecer que Niéde alicerçou, preparou e nos deixou a oportunidade de um futuro promissor por meio do maior valor da humanidade: o conhecimento”, escreveu o prefeito de São Raimundo Nonato, Rogério Castro (MDB), na apresentação do livro Serra da Capivara: As descobertas e o legado de Niéde Guidon, do jornalista, fotógrafo e documentarista André Pessoa.

Homenagem na Alepi

A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) inaugurou, nesta quarta-feira (3), a exposição sobre o legado da pesquisadora. No evento, foi realizada mesa de debate com pessoas que participaram da luta para a criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, assim como foram lançados o filme Rupestre, produzido por André Pessoa e o livro "Niéde Guidon: Uma arqueóloga no sertão", da escritora Adriana Abujamra.

A exposição, localizada na Praça do Povo, na Assembleia Legislativa, vai ficar em cartaz até o final do mês de junho, o acesso é gratuito e aberto ao público em geral e estudantes.

 

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