A política do Piauí já teve Petrônio, Dirceu, Alberto e Wall. Eles, como qualquer ser humano, tinham defeitos, mas foram grandes homens públicos, realizadores, respeitados. Não precisaram dançar, nem cantar, nem se aventurar em tentativas forçosas de serem vistos como simpáticos ou carismáticos. Aliás, alguns dos grandes líderes do passado conseguiam ser admirados pelo povo mesmo sendo sisudos.
É óbvio que os tempos mudaram e a sisudez de outrora já não é bem assimilada, mas o que vemos hoje é uma parcela de políticos que entrega pouco e ainda adota uma postura que, em muitos casos, beira o ridículo para tentar mostrar uma característica pessoal que não lhes pertence. Transformaram agendas administrativas em salão de dança, cantoria, humor patético e forçação de simpatia. Em alguns momentos, parecem bobalhões cantando e dançando, sob aplausos de suas claques.
Dançar e cantar não é errado e sempre fez parte do jogo político, sobretudo em período eleitoral. Não se condena a descontração. Porém, a turma que assessora essa gente precisa entender que tudo deve ter um equilíbrio, um limite. Quando passa do ponto, vira um negócio sem graça, esquisito. O mais incrível é que determinadas agências de propaganda, pasmem, consideram “case de sucesso” as redes sociais que apresentam um agente público como protótipo de cantor desafinado e bailarino sem molejo.
Simpatia, carisma e tato com o que é simples não se constrói em agência de publicidade. Ou você é, ou você não é. A estratégia publicitária inteligente pode até suavizar estilo e características pessoais, mas ela não transforma, não muda a essência de ninguém.
As redes sociais fazem parte da sociedade contemporânea e, via de regra, exigem comunicação leve e descontraída, mas isso não significa que nossos governantes devam ser transformados em peça de ficção, ainda que isso gere o tão desejado engajamento.







