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Situação do Colégio Liceu Piauiense mostra a educação fora da propaganda

Estudantes realizaram protesto contra precariedade estrutural na mais tradicional escola pública do Piauí.

Alunos protestam no Liceu Piauiense, em Teresina (Foto: Gustavo Almeida/DitoIsto)

Estudantes do Colégio Zacarias de Gois, o Liceu Piauiense, realizaram na manhã desta segunda-feira (13.abril.2026) um protesto contra as péssimas condições estruturais em que se encontra a unidade. As denúncias dos alunos, muitas delas acompanhadas de fotos e vídeos (assista no final da matéria), mostram uma realidade que não aparece na propaganda oficial. 

E não se trata de uma unidade de ensino qualquer: o Liceu é a mais tradicional escola pública do Piauí, com quase dois séculos de tradição e história no estado. 

Embora já não tenha o “glamour” de outrora, a escola deveria, ao menos em tese, ser uma vitrine da educação pública do Piauí. Contudo, o que se vê são infiltrações graves, mofo nas paredes, forros desmoronando, instalações elétricas precárias, goteiras que impedem as aulas quando chove e uma série de outras deficiências que a propaganda não mostra. As denúncias dos alunos também são confirmadas por professores.

Professor Orlando Maia apoia manifestação dos alunos (Foto: Andressa Martins/DitoIsto)

“O alunado resolveu dar o seu grito, pedindo à Seduc [Secretaria de Educação do Piauí] que apareça, que dê uma resposta, porque é uma situação insalubre. Nós estamos trabalhando sob situação insalubre. Professores doentes, alunos doentes com alergia, está demais. Nós chegamos ao nosso limite. Se o governo está sempre dizendo que as escolas de tempo integral estão preparadas, bem equipadas para receber os alunos, então vamos fazer valer. O senhor secretário [de Educação] tem que dar uma resposta. Os alunos chegaram no limite.”, disse o professor Orlando Maia ao DitoIsto.

As queixas dos alunos são revoltantes. A estudante Jasmyn Lopes, do 2º ano do Ensino Médio, denuncia que no Liceu “chove mais dentro do que fora”. “Está insalubre, está impossível estudar. A parte de dentro está caindo, cai muita água direto e eles não fazem nada. Para onde está indo nosso dinheiro? A minha sala ficou sem luz por mais de duas semanas. Nós fomos realocados para o auditório da escola e a turma que fica ao lado foi realocada para a biblioteca. Não tem como estudar.”, denunciou.

Aluna Jasmyn Lopes denuncia descaso no Liceu (Foto: Andressa Martins/DitoIsto)

O estudante Tarcísio Lucas, do 3º ano do Ensino Médio, lamenta que uma escola com a tradição do Liceu esteja nessa situação. Ele critica o ex-secretário de Educação Washington Bandeira – que deixou a pasta recentemente para ser candidato a vice-governador do Piauí – e o próprio governador Rafael Fonteles (PT). Segundo Tarcísio, as propagandas não mostram a realidade vivida por estudantes e professores do Liceu.

“Quando eu entrei no 1º ano aqui a estrutura já estava precária e a Seduc parece que não olha para a escola do Liceu Piauiense. O Liceu era para ser uma referência, foi uma referência, mas os anos foram passando e a Seduc não deu espaço para o Liceu, é só propaganda. O Washington Bandeira gosta de ficar fazendo vídeo aí para a Seduc dizendo que está fazendo um monte de coisa, inaugurando escola nova, mas fazer vídeo aqui dentro do Liceu ele não tem coragem. Ele e o governador.”, desabafou o aluno.

Tarcísio, aluno do 3º ano, expôe precariedade estrutural (Foto: Andressa Martins/DitoIsto)

A reportagem do DitoIsto procurou, ainda durante a realização do protesto, o diretor do Liceu Piauiense, Jair Pinheiro. Ele recebeu pessoalmente a equipe, mas disse que, por orientação da Secretaria de Educação (Seduc), não poderia falar sobre a situação.

O QUE DIZ A SEDUC
Por meio de nota, a Seduc informou que está ciente da situação do Liceu e que uma equipe técnica foi acionada para tomar as providências necessárias. Segundo a pasta, uma empresa de manutenção predial foi enviada para realizar a revisão elétrica e corrigir as infiltrações, que ela chama de “pontuais”, apesar dos vídeos mostrarem o contrário.

Ainda conforme a Seduc, os serviços de reparo deverão ser concluídos até o final de abril. Apesar da precariedade denunciada por alunos e evidenciada em vídeos e fotos, a secretaria disse que, desde 2023, a escola já recebeu investimentos superiores a R$ 1,3 milhão.

VEJA O VÍDEO:

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