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MPF denuncia grupo que causou prejuízo de quase R$ 5 milhões por fraudes em licitações no Piauí

Ação apresentada à Justiça Federal reúne provas de ilegalidades nos municípios de Francinópolis, Manoel Emídio e Colônia do Gurguéia.

Sede do Ministério Público Federal em Teresina, no Piauí (Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à Justiça Federal denúncia contra nove investigados no âmbito da Operação Holding pela atuação em associação criminosa que fraudou licitações, direcionou contratos e desviou verbas federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS), no Piauí. O esquema criminoso causou prejuízos que ultrapassam os R$ 4,9 milhões aos cofres públicos.

O MPF aponta provas de ilegalidades em licitações de terceirização e serviços de limpeza pública nos municípios de Francinópolis, Manoel Emídio e Colônia do Gurguéia.

Segundo a denúncia, os acusados operavam um grupo econômico composto por empresas de fachada registradas em nome de ‘laranjas’ para ocultar os reais controladores do esquema e burlar a fiscalização. O método envolvia a confecção privada de editais e termos de referência com cláusulas restritivas, a simulação de concorrência por meio de propostas de cobertura e o pagamento de propinas a agentes públicos com recursos obtidos em saques fracionados em espécie.

Entre as irregularidades listadas estão a entrega antecipada de propostas a agentes públicos e o uso alternado de maquinário entre cidades para simular a execução de contratos distintos.

Grupo criminoso diverso
Os denunciados integravam diferentes setores profissionais e ocupações, atuando tanto no núcleo empresarial e técnico do esquema quanto na estrutura da administração pública municipal. Participaram das fraudes gestores, empresários, engenheiros agrônomo e civil, profissionais das áreas jurídica e contábil e agentes públicos com atuação estratégica nos municípios atingidos, incluindo uma servidora municipal ocupante de cargo de chefia na Secretaria de Administração e Obras.

Os envolvidos foram denunciados pelo MPF pelos crimes de associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em contratação pública e na execução contratual, corrupção ativa e passiva, peculato e falsidade ideológica, conforme a atuação de cada réu.

Para garantir o ressarcimento do prejuízo de R$ 4,9 milhões desembolsado nos contratos investigados em Francinópolis, o MPF pediu o sequestro especial e a indisponibilidade de bens, veículos e ativos financeiros dos denunciados. O órgão requereu ainda a suspensão cautelar dos contratos administrativos ativos mantidos pelas empresas envolvidas com o município e a decretação da perda do cargo público da servidora comissionada implicada na prática de corrupção.

Além do processo penal, foi feito pedido de encaminhamento de cópias dos autos a conselhos de classe e órgãos funcionais para a abertura de procedimentos disciplinares autônomos contra os profissionais envolvidos.

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