A tão badalada produção de Hidrogênio Verde, grande aposta do governador Rafael Fonteles (PT) no começo do seu mandato, foi deixada de lado na campanha de reeleição do petista. Anunciado como uma revolução que colocaria o Piauí não apenas na vanguarda nacional, mas mundial do setor (era o que eles diziam), o hydrogen green já não figura mais nos discursos de campanha e nas propagandas para a reeleição.
Logo nos primeiros meses de mandato, Rafael anunciou um investimento de R$ 50 bilhões na produção de Hidrogênio Verde com apoio de um financiamento da União Europeia. Alguns meses depois, o governo já falava em absurdos R$ 200 bilhões. “Estamos trabalhando muito para sermos a principal referência em hidrogênio verde nas Américas, dadas as nossas vantagens competitivas, naturais e institucionais”, declarou o governador na ocasião.
Ainda naquele ano de 2023, Rafael trouxe o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) à Parnaíba, no litoral do Piauí, para lançar a pedra fundamental dos projetos de usinas de amônia e hidrogênio verde. Na oportunidade, o Governo do Estado divulgou que o empreendimento faria o Piauí se tornar a maior potência mundial na fabricação de amônia para a produção de energia à base de hidrogênio verde.
Contudo, em janeiro de 2026, a Justiça Federal suspendeu a instalação da usina de hidrogênio verde pela empresa Solatio, parceira do governo Rafael. A decisão atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF), por falta de licenças ambientais da usina e outras irregularidades.
Além de falhas no processo de licenciamento, não havia sequer autorização legal para uso da água do Rio Parnaíba, necessária à produção do hidrogênio verde. Também faltava liberação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o consumo de energia no empreendimento. As operações foram paralisadas.
Passados quase 4 anos do primeiro governo de Rafael Fonteles, a tão falada revolução do Hidrogênio Verde ficou pelo caminho. O projeto que tornaria o Piauí uma “potência mundial” no setor nunca virou realidade, enquanto muitas cidades do estado sofrem com graves e persistentes problemas de abastecimento d’água.
Ao longo desses quatro anos, a oposição criticou o ufanismo de Rafael e sua claque em torno do projeto do Hidrogênio Verde. E parece que os opositores tinham mesmo razão, afinal, o governador disputa o segundo mandato e já não cita mais aquele que era o seu principal projeto para revolucionar o Piauí. Nesse caso do Hidrogênio Verde, a montanha pariu um rato e o rato não serve para ser garoto propaganda de reeleição.





