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Em 2008, Mão Santa chamou Dilma Rousseff de 'galinha cacarejadora' em discurso no Senado

Expressão usada pelo piauiense provocou reação de senadora petista e gerou bate-boca no plenário.

Mão Santa no Senado (Foto: Roosevelt Pinheiro)

Os oito anos de Mão Santa no Senado Federal foram marcados por discursos emblemáticos e uma oposição ferrenha às gestões do Partido dos Trabalhadores (PT). A presença do piauiense na tribuna da casa era quase diária. Um dos momentos de maior repercussão aconteceu em 2008, quando Mão Santa chamou a então ministra da Casa Civil de Lula, Dilma Rousseff, de “galinha cacarejadora”.

No dia 4 de abril daquele ano, o senador piauiense criticava Dilma por defender insistentemente as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) do governo federal ao invés de esclarecer o vazamento de informações de um suposto dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O tema do dossiê estava em destaque e tinha forte repercussão na imprensa.

"Só há uma culpada nisso tudinho: é a ministra Dilma. Se nós formos buscar na história de Hitler, eles dizem que Goebbels [um dos principais nomes do partido nazista alemão] orientava no partido dele até uma galinha cacarejadora para ficar gritando: as obras, as obras, as obras - antes de fazer e depois. Isso aí, esse negócio de apelido é outro. Ela [Dilma] pode ser muito bem a galinha cacarejadora desse governo. A história se repete", afirmou.

A declaração de Mão Santa provocou protestos da então líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). Ela disse que o piauiense foi preconceituoso ao comparar Dilma a uma galinha. Na ocasião, Ideli ameaçou adotar medidas "cabíveis" contra o senador e travou um bate-boca com Mão Santa e com Heráclito Fortes, também do Piauí, no plenário.

Ideli Salvatti, na época líder do PT no Senado, protestou contra fala do senador Mão Santa (Foto: Roosevelt Pinheiro)

O então senador Romeu Tuma (SP), que presidia a sessão no Senado, teve que ameaçar suspender os trabalhos devido ao clima tenso entre os parlamentares.

A discussão só foi encerrada depois que a senadora Patrícia Saboya (CE) sugeriu que Mão Santa retirasse das notas taquigráficas do Senado a expressão "galinha cacarejadora". O então líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também defendeu a retirada da expressão dos registros da Casa. 

"Tenho certeza de que algo que sempre marcou a presença do senador Mão Santa, nas suas frequentes idas à tribuna da Casa, foi o respeito à mulher. Vou deixar bem claro: acho que realmente o senador deve pedir, ele próprio [para retirar a expressão]. A ministra Dilma Rousseff deve merecer de todos nós o respeito que devemos à mulher, que devemos ao ser humano, que devemos ao adversário e que devemos ao aliado", falou Virgílio, também de oposição ao PT.

Menos de três anos depois, Dilma seria eleita presidente da República e Mão Santa acabou derrotado na tentativa de reeleger senador.

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