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Show de Alok: saiba quem é a jornalista autora de ação que barrou evento

Ela não questionou o show em si, mas o fato de o Governo do Piauí injetar, na forma de um contrato de patrocínio, quase R$ 2 milhões num evento privado, que visa o lucro para empresa igualmente privada.

Governador e aliados têm feito publicidade do evento, gerando confusão entre interesses privado e público (Montagem/DitoIsto)

Poderia ter sido um deputado de oposição, poderia ter sido o OAB-PI, mas não foi. A ação judicial que resultou, nesta sexta-feira (24), na suspensão do show do DJ Alok em Teresina, evento privado que recebeu patrocínio de R$ 1,8 milhão sem licitação do Governo do Piauí, foi movida por uma jornalista. Trata-se de Honorina de Mello, profissional que assina reportagens investigativas no Portal AZ, muitas delas com forte repercussão.

Na ação, Honorina não questionou o show de Alok em si, mas o fato de o Governo do Piauí injetar, na forma de contrato de patrocínio, quase R$ 2 milhões num evento privado, que visa o lucro para uma empresa igualmente privada, a Kalor Produções. Ela sustentou que “a contratação possui elevado custo financeiro, em patamar absolutamente incompatível com a realidade fiscal e social enfrentada pelo ente público”.

O juiz Litelton Vieira de Oliveira, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública da Comarca de Teresina, acolheu o pedido. Ele entendeu haver grave risco de dano ao erário estadual num contrato de patrocínio de R$ 1,8 milhão apenas para exposição de logomarcas do Governo. Além disso, citou a vinculação do governador Rafael Fonteles (PT) à publicidade do evento, o que, a priori, mostra-se desproporcional e viola princípios constitucionais da Administração Pública, como moralidade e impessoalidade, notadamente pela proximidade do período eleitoral em que Rafael é candidato.

A Kalor Produções emitiu nota na noite desta quarta-feira e anunciou que vai recorrer da decisão no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (TJ-PI). A empresa sustenta que não há ilegalidade na realização do evento, inclusive no patrocínio do Governo do Estado.

A jornalista Honorina Mello
Honorina Mello não é um rosto conhecido, mas tem se destacado como uma revelação no quesito jornalismo investigativo no Piauí, com reportagens publicadas pelo Portal AZ.

Seu trabalho é marcado pelo intenso uso de dados públicos, análise de contratos, cruzamento de informações e apuração de possíveis irregularidades envolvendo tanto o Governo do Estado quanto prefeituras do interior do Piauí. Parte dessas matérias já motivou a atuação de órgãos de controle, como o Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI).

Entre conteúdos de maior impacto está a série de reportagens sobre o programa Pacto pelas Crianças, que revelou inconsistências em uma licitação de R$ 40,9 milhões para compra de mobiliário de creches. O material apontou intervenções incomuns durante o processo licitatório e levantou questionamentos sobre a condução administrativa.

Na área de infraestrutura, Honorina também assinou matéria sobre o caso Piauí Conectado, destacando a ruptura de uma Parceria Público-Privada e possíveis prejuízos milionários, o que gerou alerta sobre a segurança jurídica de contratos no estado.

Na área policial, Honorina foi responsável pelo furo jornalístico sobre a investigação de um estupro dentro da sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí. O caso ganhou grande repercussão nacional e mobilizou autoridades, trazendo à tona discussões sobre segurança institucional e responsabilidade dentro de órgãos públicos.

Além disso, a jornalista também publicou denúncia de servidores do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV), que relataram assédio moral, perseguições internas e impactos diretos na qualidade do atendimento à população.

O conjunto dessas reportagens evidencia uma atuação consistente. A ação que resultou na suspensão do show de Alok mostra que Honorina, além de reverberar suas indignações em linhas de textos jornalísticos, também é capaz de externá-la enquanto cidadã que tem o direito de buscar a Justiça. Uma iniciativa que falta em muitos parlamentares, legitimados pelo voto popular e investidos em mandato eletivo.

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