Nascido nas brenhas do interior piauiense e com uma capacidade sagaz de articular, o hoje ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias não se tornou a maior liderança do PT no Piauí à toa. Sua trajetória política, embora decisivamente favorecida por decisões erradas de adversários no começo dos anos 2000, possui muitos elementos que mostram sua inteligência política. Teve uma sorte que outros não tiveram, sim, mas também teve a perspicácia de saber ocupar um espaço na hora certa. E aí deslanchou.
Se tornou governador do Piauí quatro vezes e está no segundo mandato de senador – atualmente licenciado por estar no comando do Ministério do Desenvolvimento Social. No quesito gestão à frente do governo, deixou muito a desejar, sobretudo quando analisamos o tempo – 15 anos – que ele passou no cargo de governador. Contudo, a eficiência que falta a Wellington como gestor não lhe falta no fazer político e na expertise eleitoral.
Mora justamente nesse ponto a razão para o sucesso político do ex-governador. Ele conseguiu se firmar como a maior liderança do Piauí nos últimos 23 anos não pelas gestões que fez, mas pela sua forma de fazer a condução política. Wellington nunca foi soberbo, embora sua longeva e vitoriosa trajetória política lhe desse motivos para ser. Ele pode até matar politicamente um adversário, o que é normal no jogo político, mas nas relações públicas e no trato pessoal tem a gentileza e a humildade como princípios.
Wellington sempre foi de agregar e por isso, do ponto de vista prático, jogou as favas o ultrapassado discurso de combate às oligarquias, apesar de, nos palanques, de quatro em quatro anos, ainda resgatá-lo. Chamou para seu grupo políticos tradicionais do velho PFL, do PL, do PP e do PSDB que integravam a chamada oligarquia e, com apoio deles, foi empilhando vitórias a cada eleição no Piauí.
O estilo do Índio é diferente. Me recordo de um episódio na eleição de 2014, quando Dias disputava o governo do estado contra o então governador Zé Filho (MDB). Numa agenda em Dom Inocêncio, no semiárido do Piauí, o petista, que era apoiado pela oposição na cidade, saiu em caminhada pelas ruas acompanhado dos aliados. O então prefeito era do PSDB e votava em Zé Filho. Quando a caminhada passava ao lado da casa do prefeito, Wellington viu o portão da garagem dos fundos aberto e entrou. Os adversários locais do prefeito se espantaram e recuaram. Ficaram do lado de fora.
Eu, na época estudante de jornalismo, cobria o evento e fui atrás de Wellington. Praticamente toda a comitiva ficou fora. Ele entrou e, como era pelos fundos, atravessou vários cômodos da casa até sair na área do terraço, onde o grupo do então prefeito estava reunido para “sondar” o movimento adversário que passava na rua. Quando Wellington chegou por trás e disse “bom dia, jovens”, todos ficaram surpresos e se levantaram para cumprimentar. O petista falou com todos e disse que tinha passado apenas para dar um abraço. Saiu e seguiu a caminhada com os seus aliados.
Atualmente, não são poucos os políticos do Piauí que enaltecem essa e outras características de Wellington Dias, ainda que sejam seus adversários. O ministro e ex-governador não costuma anunciar decisões políticas antes do tempo que considere ideal, não se precipita em declarações sobre aliados – nem sobre adversários – e sabe sempre a hora certa de entrar em campo. Não à toa é hoje o “jogador” mais procurado no robusto grupo político que ele construiu no estado do Piauí nas últimas décadas.







