Fazia seis dias que uma peça publicitária do Governo do Piauí com dois rapazes negros interpretando ladrões e roubando um homem branco rodava na internet e na televisão. O material produzido para enaltecer o bem-sucedido programa de recuperação de celulares criado no Piauí começou a ser publicado nas primeiras horas do dia 12.
Somente na noite da sexta-feira (17), uma matéria assinada pela jornalista Andressa Martins, em sua coluna no portal DitoIsto, chamou atenção para a conotação aparentemente racista da cena. Ainda que possa não ter sido intencional, a propaganda reforça estereótipos ao associar pessoas pretas com a criminalidade.
A matéria do DitoIsto teve ampla repercussão ao longo do fim de semana e provocou reações de algumas pessoas e entidades ligadas ao movimento negro. Nesta terça-feira (21), veículos na imprensa nacional repercutiram o assunto. Sites como Metrópoles, Poder360, O Globo e UOL publicaram reportagens.
Diante da repercussão negativa, o governador Rafael Fonteles (PT) apagou o vídeo das redes sociais.
O governo, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), nega que a peça tenha conotação racista e diz que os atores negros são influenciadores digitais piauienses "reconhecidos por produzirem conteúdos semelhantes". A peça publicitária conta com atores do elenco original do filme "Ai Que Vida", dirigido por Cícero Filho.
Diretor se manifesta
Em publicação no Instagram na manhã desta terça-feira (21), Cícero Filho criticou o portal DitoIsto. Ele recorreu à uma cena do filme “Ai Que Vida”, lançado em 2008, em que o ator branco da peça atual rouba um objeto, para alegar que ele também pode ser visto como ladrão e não só os dois rapazes negros. Porém, a matéria se refere à peça publicitária do Governo e nela o ator branco, interpretado por Rômulo Augusto, é vítima e não bandido.
Divulgação suspensa
Embora negue a conotação racista da peça, a Secretaria de Comunicação do Governo do Piauí informou que o conteúdo não será mais veiculado. “Como o intuito do vídeo nunca foi gerar polêmica nem reforçar estereótipos, em respeito às pessoas que o consideraram inapropriado, o conteúdo não será mais veiculado”, informou a Secom ao site Metrópoles.
Apesar da suspensão na TV e nas redes sociais do Governo, até a publicação desta matéria, às 20h55 desta terça-feira, a peça seguia no ar na rede social do secretário estadual de Comunicação Marcelo Nolleto.







