O deputado estadual Georgiano Neto, filiado ao MDB e principal organizador do PSD no Piauí, tem sido, constantemente, alvo de queixas e insatisfações dos seus pares da classe política. O principal argumento dos queixosos é que ele não tem limites para avançar sobre novas bases eleitorais e ampliar a robustez do seu grupo, sem nunca se dar por satisfeito. É como se ele fosse insaciável por votos e nunca diminuísse o ímpeto por novos espaços.
As críticas a Georgiano encontram razão em muitos aspectos e os que se sentem insatisfeitos têm, obviamente, o direito de fazê-las. Contudo, é preciso ser justo e apontar, também, outras faces da atuação do deputado. Georgiano, mesmo tendo apenas 31 anos, coleciona recordes de votação na política piauiense e se tornou, indiscutivelmente, um ator político relevante no estado. Ele não teria a liderança que tem atualmente se, ao longo do percurso, não tivesse colecionado méritos para tal.
Nesse contexto, há um ponto que se faz necessário destacar. As queixas contra Georgiano partem sempre de agentes políticos que, de alguma forma, concorrem ou disputam com ele algum interesse. Por outro lado, não se tem notícia de insatisfações ou revoltas de lideranças que são ligadas ao parlamentar. Não há queixas das dezenas de prefeitos ligados ao deputado. Pelo contrário: o que se percebe das lideranças que compõem a base de Georgiano é uma sintonia e até uma defesa enfática da sua atuação.
O que se escuta das lideranças municipais é que o parlamentar honra compromissos e dá atenção aos seus apoiadores. Talvez more aí – e não na tão propalada invasão de bases – a razão para Georgiano aumentar exponencialmente as suas votações a cada eleição, estabelecendo recordes seguidos em número de votos para a Assembleia Legislativa do Piauí. Um dos maiores méritos de um político não é conseguir um novo reduto eleitoral, mas conquistar a fidelidade e estabelecer relação duradoura com ele.
Em um ambiente concorrido, cheio de interesses e cruel como a política, ter uma base gigante como a de Georgiano certamente seria um grande problema se o político fosse mediano no quesito articulação, influência e astúcia. A cobiçada base que Georgiano construiu – e constrói – não teria se mantido de pé não fosse ele um líder com méritos e capacidade política de oferecer resultados satisfatórios aos seus aliados.
Há quem diga que, com a mesma estrutura que Georgiano e sua família têm no governo e na vida privada, qualquer político conseguiria os êxitos eleitorais que ele e seu grupo conseguiram. Não há como negar que o deputado tem uma estrutura que poucos têm e nunca soube, por exemplo, o que é fazer política na oposição. Seria ingenuidade achar que a estrutura não é parte do seu sucesso. Porém, ter estrutura não é sinônimo de ter capacidade de liderança e os exemplos disso existem aos montes na política.
Muita gente já perdeu eleição e ficou para trás mesmo alojado em robustas estruturas governamentais que, em tese, lhes garantiriam trampolim para estourar nas urnas e se estabelecer como lideranças políticas de sucesso. Do mesmo modo que milionários fracassaram na arena eleitoral mesmo sendo exemplos de sucesso na vida empresarial.
Georgiano tem, sim, atitudes que deveria repensar em nome de uma harmonia maior com seus pares. Mas o que também está clarividente é que há uma queixa motivada pelo sucesso eleitoral e pela liderança que ele se tornou. Trata-se de um jovem que, quando nasceu, muitos dos seus críticos já estavam há décadas na política.
Aquele velho ditado de que só se atira pedras em árvore que dá frutos talvez se aplique ao deputado. Goste ou não de Georgiano Neto, ele se firmou como ator político relevante.







