O fechamento de uma clínica de hemodiálise em São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina, foi o estopim para um desentendimento entre a vereadora de oposição Valdenia Costa (Progressistas) e o prefeito Rogério Castro (MDB). A parlamentar acusa o gestor de tentar intimidá-la depois que ela criticou a administração municipal pelo fechamento da clínica, que é privada, mas cuja regulação dos pacientes é feita pela prefeitura.
Valdenia falou ao DitoIsto que, após a clínica anunciar nas redes sociais o encerramento das atividades, ela comentou publicamente o tema e afirmou que houve falta de diálogo, de bom senso e de transparência por parte da prefeitura. No próprio comunicado, a Nefroclínica Sul diz que a decisão de encerrar as atividades ocorreu “após consequências causadas pela falta total de regulação de pacientes no município, que por muito tempo foi cobrada dos órgãos competentes”.
A vereadora criticou e atribuiu responsabilidade à gestão municipal. Segundo Valdenia, após a crítica o prefeito Rogério Castro enviou para ela uma sequência de mensagens dizendo que ela estava mentindo e exigindo que ela se retratasse por acusar a prefeitura pelo fechamento da clínica. Após enviar as mensagens, o prefeito ligou para a vereadora.
“Ele printou as minhas mensagens [com o comentário sobre o fechamento] e começou a me mandar, falando que eu precisaria me retratar, que eu estava falando inverdades. Depois ele apagou as mensagens e me ligou. Na ligação ele foi mais incisivo na intimidação. Disse que eu seria exposta na rádio, que eu agia de má fé. E repetia que iria me expor. E ele foi na rádio”, relatou a vereadora.
Na sessão da Câmara Municipal na última quinta-feira (4), Valdenia fez um pronunciamento relatando o episódio. A parlamentar chorou ao detalhar a suposta intimidação e disse que não vai se calar. “Eu jamais pensei que eu iria receber uma ligação intimidando o meu trabalho. Eu não vou me calar diante da dor do povo”, falou.
Prefeito nega
Ao DitoIsto, o prefeito Rogério Castro disse que a acusação de Valdenia é uma narrativa que ele atribui à ex-prefeita Carmelita Castro, aliada da vereadora e de quem ele é adversário político. Rogério negou que tenha ligado para intimidar a parlamentar.
O gestor disse que sempre teve diálogo com Valdenia e por isso ligou para falar que ela não estava sendo justa ao responsabilizar a prefeitura pelo fechamento da clínica de hemodiálise.
“Eu não tenho histórico de agressão, nem de intimidação contra ninguém. Eu ligo para ela quase semanalmente. Liguei e disse que a crítica dela era injusta. Acusar a prefeitura de fechar uma clínica de hemodiálise é uma acusação muito séria.”, explicou.
Sobre o fechamento da clínica, Rogério Castro afirmou que a decisão é do proprietário e teria sido motivada, entre outras razões, pela pouca quantidade de pacientes. Além da Nefroclínica Sul, outra clínica também oferece o serviço de diálise na cidade e recebe a maioria dos pacientes da região. Segundo o prefeito, até mesmo essa outra clínica está com dificuldades para manter o serviço.
Problemas com a Anvisa
O prefeito ainda enviou um documento de inspeção da Vigilância Sanitária Estadual, datado de 10 de junho de 2025, que aponta que a Nefroclínica Sul não estava, ao menos naquela data, em condições de funcionar. Segundo o documento, a unidade não reunia as condições mínimas exigidas para a renovação do licenciamento sanitário.







