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Gustavo Almeida

O arroubo da insensatez e da lacração em Cocal, no Piauí

Prefeito anuncia atrações nacionais após sua gestão afirmar que situação financeira "alarmante" comprometia serviços básicos. MP consegue, ao menos por enquanto, barrar.

Cidade de Cocal, no Piauí (Foto: PHB Drones)

Após uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI), o juiz Anderson Brito da Mata, da Vara Única da Comarca de Cocal, no Norte do estado, determinou na quinta-feira (7) a suspensão de shows milionários anunciados pelo prefeito do município, Dr. Cristiano Britto (Republicanos).

O gestor de primeiro mandato, num arroubo de insensatez, lacração e imprudência fiscal, contratou o DJ Alok, um dos mais famosos do mundo, os cantores Natanzinho Lima, Hungria e a banda Anjos de Resgate para o chamado "Festejo do Povo", evento promovido pela prefeitura de Cocal com apoio de verbas oriundas de emendas parlamentares.

Juntos, conforme denunciado pelo MP-PI, só os quatro contratos referentes a esses artistas somam quase R$ 2 milhões. Contudo, também foram anunciados Xand Avião, Zé Vaqueiro, Meninos de Barão e outras atrações.

Cocal é a mesma cidade que, em março deste ano, segundo relato documental do secretário de Finanças, enfrentava situação financeira alarmante, capaz de comprometer a prestação de serviços essenciais e limitar a capacidade de investimentos em áreas prioritárias, como saúde, educação e assistência social.

É a mesma cidade do então candidato a prefeito Dr. Cristiano Britto, que em 2024, com o intuito de se eleger, denunciava aos quatro ventos o prefeito da época por gastar demais com festas e deixar faltar dinheiro para a saúde. Na ocasião, em uma entrevista numa emissora de TV, Cristiano mencionou como gasto exagerado um show de Wesley Safadão no valor de R$ 500 mil, montante que, embora muito alto, é irrisório se comparado à extravagância que ele agora quer fazer.

A gastança com as festas anunciadas pelo prefeito – e barrada, ao menos por enquanto, pela Justiça – ganha contornos ainda mais ridículos quando se olha a espetacularização que ele fez no anúncio publicado nas redes sociais. Uma cena de pura lacração e promoção pessoal da imagem dele e da primeira-dama, comportamento típico de quem prefere a leveza advinda do regojizo com a farra ao desafio de enfrentar as carências de uma cidade que, assim como tantas outras Piauí afora, padece de problemas básicos.

Anúncios de shows viram "evento" nas redes sociais do prefeito (Reprodução/Instagram)

Cristiano Britto derrotou nas eleições de 2024 em Cocal o então prefeito, que também não era exemplo de responsabilidade com a coisa pública, tendo enfrentado até mesmo denúncias de uso de verba pública para prazeres na seara privada. Contudo, o novo gestor já começa dando mau exemplo. O exagero com festas tem sido amplamente condenado por órgãos de controle, a exemplo do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Cristiano finge não ver.

Parte da dinheirama para as festas em Cocal é oriunda de emendas parlamentares, alocadas por deputados através de alguma secretaria estadual.

O argumento de que não é dinheiro do município costuma ser usado por alguns prefeitos mal-intencionados para se esquivar do desgaste da gastança. É preciso esclarecer à população que essas verbas que deputados mandam para festas – a pedido dos prefeitos – poderia ser reivindicada por eles para outras áreas, via secretarias estaduais. Se a verba vai para festas é porque o gestor pediu para esse fim. É dinheiro público, do mesmo jeito, oriundo de impostos pagos pelos cidadãos.

No caso de Cocal, o MP-PI identificou que alguns contratos, incluindo o do DJ Alok, são com recursos próprios da prefeitura, além de vários outros via secretarias estaduais. O exagero por lá passou dos limites. De tão extravagante, ficou ridículo.

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