Após uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI), o juiz Anderson Brito da Mata, da Vara Única da Comarca de Cocal, no Norte do estado, determinou na quinta-feira (7) a suspensão de shows milionários anunciados pelo prefeito do município, Dr. Cristiano Britto (Republicanos).
O gestor de primeiro mandato, num arroubo de insensatez, lacração e imprudência fiscal, contratou o DJ Alok, um dos mais famosos do mundo, os cantores Natanzinho Lima, Hungria e a banda Anjos de Resgate para o chamado "Festejo do Povo", evento promovido pela prefeitura de Cocal com apoio de verbas oriundas de emendas parlamentares.
Juntos, conforme denunciado pelo MP-PI, só os quatro contratos referentes a esses artistas somam quase R$ 2 milhões. Contudo, também foram anunciados Xand Avião, Zé Vaqueiro, Meninos de Barão e outras atrações.
Cocal é a mesma cidade que, em março deste ano, segundo relato documental do secretário de Finanças, enfrentava situação financeira alarmante, capaz de comprometer a prestação de serviços essenciais e limitar a capacidade de investimentos em áreas prioritárias, como saúde, educação e assistência social.
É a mesma cidade do então candidato a prefeito Dr. Cristiano Britto, que em 2024, com o intuito de se eleger, denunciava aos quatro ventos o prefeito da época por gastar demais com festas e deixar faltar dinheiro para a saúde. Na ocasião, em uma entrevista numa emissora de TV, Cristiano mencionou como gasto exagerado um show de Wesley Safadão no valor de R$ 500 mil, montante que, embora muito alto, é irrisório se comparado à extravagância que ele agora quer fazer.
A gastança com as festas anunciadas pelo prefeito – e barrada, ao menos por enquanto, pela Justiça – ganha contornos ainda mais ridículos quando se olha a espetacularização que ele fez no anúncio publicado nas redes sociais. Uma cena de pura lacração e promoção pessoal da imagem dele e da primeira-dama, comportamento típico de quem prefere a leveza advinda do regojizo com a farra ao desafio de enfrentar as carências de uma cidade que, assim como tantas outras Piauí afora, padece de problemas básicos.
Cristiano Britto derrotou nas eleições de 2024 em Cocal o então prefeito, que também não era exemplo de responsabilidade com a coisa pública, tendo enfrentado até mesmo denúncias de uso de verba pública para prazeres na seara privada. Contudo, o novo gestor já começa dando mau exemplo. O exagero com festas tem sido amplamente condenado por órgãos de controle, a exemplo do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Cristiano finge não ver.
Parte da dinheirama para as festas em Cocal é oriunda de emendas parlamentares, alocadas por deputados através de alguma secretaria estadual.
O argumento de que não é dinheiro do município costuma ser usado por alguns prefeitos mal-intencionados para se esquivar do desgaste da gastança. É preciso esclarecer à população que essas verbas que deputados mandam para festas – a pedido dos prefeitos – poderia ser reivindicada por eles para outras áreas, via secretarias estaduais. Se a verba vai para festas é porque o gestor pediu para esse fim. É dinheiro público, do mesmo jeito, oriundo de impostos pagos pelos cidadãos.
No caso de Cocal, o MP-PI identificou que alguns contratos, incluindo o do DJ Alok, são com recursos próprios da prefeitura, além de vários outros via secretarias estaduais. O exagero por lá passou dos limites. De tão extravagante, ficou ridículo.







