O senador Marcelo Castro, presidente do MDB no Piauí, confirmou nesta segunda-feira (30) que o governador Rafael Fonteles (PT) descartou o atual vice-governador Themístocles Filho da vaga de vice nas eleições de 2026. Castro disse foi com alguns emedebistas levar “solidariedade” a Themístocles, que lutava para continuar como companheiro de chapa do governador petista em sua campanha de reeleição.
Conforme o senador, Themístocles e o MDB estão desconfortáveis e insatisfeitos com a decisão de Rafael. Apesar disso, ele ainda apontou que nem o partido nem Themístocles vão anunciar alguma posição agora. Segundo Castro, vão “deixar a poeira sentar”.
Nos bastidores, muita gente alimenta a expectativa de que o “balão” dado em Themístocles Filho possa levar a um rompimento político. Contudo, essa possibilidade é praticamente nula se levarmos em conta a história recente do MDB no Piauí, um partido que, apesar de gigante, se acostumou a ser apenas um apêndice dos governos do PT.
Nos últimos 20 anos, o MDB, mesmo com todas as condições de peitar qualquer força política e concorrer ao governo, preferiu o papel de mordomo palaciano das gestões petistas. Por várias vezes teve, ao mesmo tempo, a maior bancada e a presidência da Assembleia Legislativa, deputados federais, senador e prefeitos de várias cidades. Ainda assim, preferiu a subserviência em vez da ousadia para pleitear o protagonismo.
O próprio Marcelo Castro é um exemplo. Foi várias vezes deputado estadual campeão de votos, deputado federal campeão de votos e em muitas ocasiões cotado para disputar o Governo. Porém, nunca abraçou o desafio, embora quisesse muito ser governador. Ele mesmo, em algumas declarações públicas, admitiu que o seu momento “passou”.
No caso de Themístocles, ressentido, pode ser que ele espalhe algumas brasas por baixo dos panos, como já fez em outras ocasiões. No entanto, romper com o governo ele dificilmente fará, até porque, convenhamos, os únicos verdadeiramente insatisfeitos com o "balão" é apenas ele, seus filhos, a esposa e os admiradores mais fiéis. O resto do MDB finge solidariedade, mas está se lixando para as agruras do vice-governador.
Se para Themístocles a coisa não está saindo como deveria, para outros emedebistas não há governo melhor que o do PT, tanto em nível estadual quanto federal.
O fato é que nenhum membro destacado do MDB está disposto a se juntar a Themístocles em caso de uma eventual decisão do vice de tentar melar a reeleição de Rafael Fonteles. E olha que um clima para isso até existe, afinal, boa parte da classe política se queixa do modus operandi do jovem governador petista. Mas, nesse Piauí de muitos homens e mulheres de coragem, a política está carente dos destemidos.







