A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, através de um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a retirada do sigilo sobre um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
A manifestação da PGR foi produzida em resposta a um pedido do ministro Alexandre de Moraes que, através de um ofício enviado ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, disse ser essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro.
Antes de decidir, Fachin solicitou o parecer da PGR para que se “possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve”, diz a manifestação assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho. O vice-PGR fez referência ainda ao julgamento marcado para esta terça-feira (15.09), quando o plenário do Supremo deverá analisar se abre ou não uma investigação contra Moraes.
O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas ao grupo de Vorcaro. O STF já retirou o sigilo de 53 linhas de investigação, mas manteve em segredo a petição sobre os pagamentos feitos pelo ex-banqueiro. Entre os documentos analisados está um relatório da Polícia Federal com 52 mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre o material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O ato desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, com embate direto entre os ministros.
A PGR solicitou ao Supremo a anulação do relatório, por considerar a existência de irregularidades na sua produção. De acordo com o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um ministro do Supremo sem ter informado ao plenário previamente.
De Agência Brasil





