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Gustavo Almeida

O parlamento e a mediocridade movida pela polêmica

OPINIÃO | Aprovação de título de cidadania teresinense para o DJ Alok até poderia ser um gesto nobre, mas fica pequena por ter origem numa polêmica eleitoreira.

Plenário da Câmara Municipal de Teresina
(Foto: Gustavo Almeida/DitoIsto)

A Câmara Municipal de Teresina aprovou nesta quarta-feira (29) a concessão de um título de cidadania teresinense para o DJ Alok, artista de reconhecimento internacional que se apresentou na capital no último sábado. Como todos devem saber, o show foi marcado por uma série de polêmicas e decisões judiciais sobre sua realização, tudo em razão do patrocínio de quase R$ 2 milhões que o Governo do Piauí deu para a empresa privada dona da festa, além de questiúnculas eleitoreiras em torno do evento.

Contudo, não é pretensão deste artigo tratar sobre as querelas relacionadas ao show, até porque as pessoas sensatas do Piauí certamente já estão de saco cheio do uso exaustivo que os contras e os favoráveis ao evento fizeram nos últimos dias. O DJ Alok fez o seu trabalho e, pelo que se percebe, além de ser um grande astro no que faz, é também um ser humano de bom coração e sensível com algumas questões sociais.

Dito isto, voltemos ao título de cidadania aprovado na Câmara Municipal. A honraria foi proposta pelo vereador Leôndidas Júnior (PSB), sendo subscrita por outros 14 parlamentares. Foi aprovada por ampla maioria, embora não tenha sido unânime. 

Com todas as vênias ao Alok, esse tipo de proposição é mais um exemplo da banalização dos títulos de cidadania e das honrarias nos parlamentos. Trata-se, claramente, de uma iniciativa motivada pela polêmica que se criou em torno do show do artista e que foi usada politicamente por figuras públicas de diferentes espectros. A própria quantidade de vereadores que subscreveu a proposta reforça o seu aspecto político-eleitoral.

Importante lembrar que a honraria para Alok não é a primeira a ser proposta e aprovada em ambiente político semelhante, procedida de alguma polêmica que coloca grupos em lados opostos. É fato que Alok anunciou doações em dinheiro para ajudar a saúde e o ecoturismo no Piauí, mas ainda é cedo para torná-lo cidadão teresinense. O anúncio da doação como justificativa para o título é apenas o argumento aceitável para a iniciativa que, no fundo, teve origem na polêmica e na queda de braço entre políticos de dois lados.

Leôndidas Júnior (Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)

O jovem vereador Leôndidas Júnior é um parlamentar que tem apresentado boas propostas na Câmara Municipal de Teresina e, ao menos até aqui, se credencia para ter um futuro político promissor. Porém, deve tomar cuidado para não se deixar levar pelo oba-oba de temas momentâneos que causam agito político e repercussão em redes sociais, ainda que isso lhe garanta exposição. A proposição de cidadania teresinense para o DJ Alok foi, ao menos nesse momento, um erro de percurso do vereador.

É preciso que os parlamentares sejam mais criteriosos com títulos de cidadania e com as honrarias oficiais, sob pena de banalizar esses dispositivos legislativos que outrora foram vistos com distinção. Quando propostos com critério e no momento adequado, os títulos engrandecem ainda mais os homenageados. No caso em questão, a aprovação para Alok nesse momento, em meio à essa polêmica política, diminuiu a própria grandeza da iniciativa.

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