Há alguns anos o “calçamentismo” e o “asfaltismo” se tornaram a principal política de governo praticada no Piauí. De políticos em cargos executivos a parlamentares de todos os níveis, a única benfeitoria que a maior parte parece saber proporcionar ao povo é calçamento e asfalto. Donos de construtoras fazem a festa - a interpretação é livre - de norte a sul do Piauí com obras de calçamento e asfaltamento, a grande maioria delas bancada com emendas de deputados amigos e executadas por secretarias estaduais.
O Piauí é um estado que, embora tenha tido avanços nas últimas décadas, ainda amarga indicadores que não são nada favoráveis. É um estado com industrialização pífia, carente de geração de oportunidades, com índice de analfabetismo entre os maiores do País e com muitos potenciais, a exemplo do turismo e da pecuária, mal aproveitados. Muitas cidades sofrem com falta de água em pleno ano de 2026, o fornecimento de energia é deficiente e empreender por aqui é uma tarefa para quem tem disposição de persistir.
Apesar de todos esses problemas, a classe política do Piauí não consegue enxergar além do calçamento e do asfalto. Importante destacar que a pavimentação de ruas e estradas tem a sua relevância para a vida das pessoas e deve ser feita, mas está longe de ser o único vetor de desenvolvimento de uma cidade ou estado. Quando jogar asfalto na rua se torna a principal ação da classe política de um estado, é sinal de que a qualidade dos nossos representantes está num nível muito aquém do desejado.
Essa realidade mostra, também, a carência de intelectualidade dos nossos políticos. Governantes e parlamentares que só ofertam ao seu povo calçamento e asfalto, sobretudo pelo fato dessas obras terem retorno eleitoral e outras vantagens rápidas, evidenciam a própria incapacidade de desenvolverem ações ousadas e executarem obras e políticas públicas de vanguarda. Nenhum político será lembrado no futuro por obras de varejo que, de tempos em tempos, precisam ser refeitas.
Nas redes sociais de alguns políticos do Piauí, a nova modinha é mostrar a altura da camada do asfalto recém-construído e dizer “Ôh lapa de asfalto!”. A realidade por trás da brincadeirinha mostra uma classe política – há exceções – incapaz de elevar o Piauí a um patamar verdadeiramente próspero e desenvolvido. O nível da “lapa de asfalto” que muitos mostram como se fosse a grande vantagem do mundo parece ser o máximo que muitos deles conseguem alcançar em suas próprias atuações políticas.
A população piauiense, cuja parcela significativa se deixa levar por esse tipo de atuação política rasa, precisa se atentar ao nível dos seus representantes. Enquanto o calçamentismo e o asfaltismo forem a principal política de governo do nosso estado e da nossa classe política, o Piauí dificilmente se livrará de mazelas que o afligem há décadas.
Na realidade dos tempos atuais, fazer a “lapa de asfalto” qualquer político faz, mesmo os mais medíocres. Difícil é transformar o estado em lugar de progresso e colocá-lo em outro patamar, ao ponto de um dia, quem sabe, podermos falar: ôh lapa de estado!







