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Andressa Martins

Cronologia de um descaso: relato de um professor sobre as condições da escola

Docente da rede estadual na cidade de Bertolínia, no Sul do Piauí, envia relato sobre a realidade da unidade escolar.

Escola Florisa Silva, em Bertolínia (Instagram)

Após o protesto feito na segunda-feira (13.abril) por estudantes do tradicional Colégio Liceu Piauiense, em Teresina, contra as péssimas condições estruturais da unidade, surgiram relatos de situações parecidas em outras escolas da rede estadual. Em um comentário postado no perfil do DitoIsto no Instagram, o professor Carlos Lopes descreveu as condições em que funciona o Ceti Florisa Silva, na cidade de Bertolínia, no Sul do Piauí.

Segundo ele, em 2023 a escola foi “forçada” a entrar no sistema de tempo integral mesmo sem ter nenhuma estrutura para ofertar essa modalidade. Em 2024, relata ele, os alunos e professores passaram meses tendo aula em meio a entulhos e muita poeira do que ele classificou de “suposta reforma”, que só foi concluída em dezembro, no fim do ano letivo, mas cujas paredes de algumas salas já apresentam rachaduras. 

Além disso, ele conta que até hoje a escola segue sem refeitório, sem quadra coberta e com algumas salas de aula isoladas por ordem da Secretaria de Educação.

Veja o relato do professor:

Sou professor no CETI Florisa Silva, em Bertolínia (11ª GRE), escola que há muitos anos se destaca nas avaliações externas da Seduc e temos excelentes resultados com nossos alunos no Enem. Em 2023 fomos forçados a entrar no tempo integral, sem nenhuma estrutura para ofertar essa modalidade.

Em 2024 passamos meses dando aulas em meio aos entulhos e poeira de uma suposta reforma, estruturação e climatização que só foi concluída e inaugurada em dezembro de 2024, sem que a quadra fosse coberta, nem o refeitório construído. Mas o governador, em discurso, garantiu que até março de 2025 essas questões estariam resolvidas definitivamente. 

Em fevereiro de 2025, no início do ano letivo, as salas de aula já apresentavam rachaduras nas paredes. As portas das salas não foram trocadas, apenas pintadas e cobertas com um adesivo. Os banheiros possuem apenas 1 chuveiro, metade das salas de aula não possui janelas e hoje, abril de 2026, o Ceti Florisa Silva, segue sem refeitório, sem quadra coberta, com as salas de aula isoladas por ordem da Seduc, com risco de desabamento. MAS TUDO BEM... o importante é MÍDIA. Aqui tem trabalho (pra fazer e não é feito), aqui tem futuro (porque nós, professores, fazemos ele acontecer, mesmo sem nenhum trabalho do governo).

Carlos Lopes – professor do Ceti Florisa Silva, de Bertolínia.

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