O deputado federal Júlio Arcoverde (Progressistas) propôs na Câmara Federal a realização de uma audiência pública para discutir a prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Piauí. O parlamentar tem feito uma série de denúncias contra a empresa Águas do Piauí, do Grupo Aegea Saneamento, para quem o governo estadual repassou a concessão dos serviços de água e esgoto.
O requerimento de audiência pública nº 4/2026 foi protocolado na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara. Ao falar sobre o que considera serem descasos recorrentes da Águas do Piauí, o deputado também fez duras críticas à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Piauí (Agrespi). Segundo ele, o órgão que deveria fiscalizar a Águas do Piauí é “de fachada” e não aplica punições à concessionária.
“Vocês sabem quem é o presidente da agência reguladora de águas do Piauí? Ninguém sabe. Sabe onde é que ela fica? Ninguém sabe. É fachada. Não funciona, não existe. Se existisse, essa empresa [Águas do Piauí] já tinha pagado uma multa de mais de R$ 50 milhões se comparado com o que é feito nos outros estados.”, criticou Arcoverde.
No pedido de audiência pública, Júlio Arcoverde propõe que estejam presentes representantes da Aegea Saneamento, da Agrespi, do Governo do Piauí, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), da Associação Piauiense de Municípios (APPM) e da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi).
Procurada pelo DitoIsto, a Agrespi se manifestou por meio de nota e disse que atua dentro das suas competências legais, monitorando continuamente os serviços e adotando as medidas cabíveis sempre que necessário. O órgão informou também que realizou 20 ações regulatórias em 2025 e que atua em conformidade com as normas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). (Leia a nota na íntegra).
Péssimos serviços prestados pela Águas do Piauí
O deputado Júlio Arcoverde denuncia que a falta de água se multiplica pelas cidades do Piauí e nenhuma solução é dada. O parlamentar também lançou suspeitas sobre a própria concessão do serviço de água e esgoto no Piauí e citou denúncias de pagamentos de propina pela Aegea em processos de concessão em alguns estados do Brasil.
“Hoje o povo do Piauí passa sede, não só apenas os animais. Cidade como Floriano passa cinco dias sem ter água e a gente tem que saber onde é que está o gargalo. Eles vão ter que explicar por que estão prestando um péssimo serviço. Eu nunca imaginei que os cidadãos do Piauí iriam ter saudade da Agespisa. Eu conversei com vários parlamentares de estados onde essa empresa já presta serviço e todos foram categóricos ao dizer que, a partir do momento que ela assumiu, o serviço ficou muito aquém do que deveria. Além disso, foi acusada de pagamento de propina em todos os contratos realizados”, falou.
OUTRO LADO
Procurada pelo DitoIsto para se posicionar sobre as declarações de Júlio Arcoverde, a Águas do Piauí enviu nota e disse que está à disposição para o diálogo institucional, pautado pela transparência, responsabilidade e colaboração com os órgãos de controle e a sociedade. A empresa alegou que assumiu a prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado há menos de um ano e que, desde então, já investiu mais de R$ 300 milhões na melhoria e ampliação dos sistemas.
A concessionária garantiu ter compromisso com o Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece metas de universalização até 2033, com atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Dentro desse compromisso, a empresa diz ter lançado o Programa SaneaMais Piauí e já realiza entregas concretas no Território da Serra da Capivara, onde implantou um novo sistema de captação, tratamento e produção de água, ampliando a oferta hídrica em uma das regiões mais secas do estado.
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