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O assistencialismo que deveria ser temporário se cristalizou como fonte de voto permanente

Há muitos méritos nos programas sociais, mas não dá pra se conformar com um País em que o número de pessoas no Bolsa Família supera a quantidade de carteiras assinadas.

Fome Zero foi lançado por Lula em 2003, primeiro ano dele na Presidência da República

No dia 30 de janeiro de 2003 foi lançado institucionalmente o programa Fome Zero, que tempos depois se tornaria o atual Bolsa Família, e que marcou o início de uma das principais políticas sociais dos governos petistas no Brasil. O foco, como o próprio nome entrega, era o combate à fome e a extrema pobreza no país.

Na época, durante seu discurso, Lula afirmou que o Fome Zero ia além da distribuição de comida e que era necessário "dar o peixe e ensinar a pescar ao mesmo tempo". Isso significava criar condições para que os brasileiros miseráveis pudessem, mais tarde, se sustentar sem depender permanentemente de auxílios.

"Ensinar a pescar é criar empregos nas regiões onde hoje existem fome e pobreza. Ensinar a pescar significa melhorar as condições de vida da população [...] é libertar milhões de brasileiros, definitivamente, da humilhação das cestas básicas.", disse o presidente naquele distante 2003.

Os tempos passaram e os programas sociais seguem aí. Cumpriram - e cumprem - um papel importante, mas também há muito o que se condenar nessa política de governo (ou eleitoral, para muitos). Um levantamento do IBGE divulgado no último dia 30 de janeiro mostra um avanço no número de pessoas com carteira assinada no Brasil, com 38,9 milhões de brasileiros com empregos formais. No entanto, esse número ainda é inferior à quantidade de pessoas dependentes do Bolsa Família. 

Segundo dados do próprio Governo Federal, o programa atende cerca de 48,59 milhões de pessoas, sendo o Nordeste a região com maior número de beneficiários, com 8,74 milhões, o que mostra que a desigualdade regional apontada no início dos anos 2000 persiste, e a dependência do programa também. 

Guaribas, no interior do Piauí (Divulgação/MDS)

A cidade de Guaribas, no interior do Piauí, foi o laboratório do Fome Zero. Ganhou destaque nacional em 2003, no começo do primeiro governo Lula, embora o petista nunca tenha pisado os pés lá. O município piauiense, com seus 4,5 mil habitantes na época, era considerado um dos mais pobres do país e teve sua miséria escancarada em rede nacional.

Mais de duas décadas depois, Lula voltou e está em seu terceiro governo. O petista segue tendo o Bolsa Família como principal plataforma de sua gestão e, claro, trampolim eleitoral também. No Piauí, o PT segue no poder desde aquele mesmo 2003. Wellington Dias, hoje Ministro do Desenvolvimento Social, o ministério responsável pelo programa, governou o Piauí quatro vezes e elegeu sucessores. 

A realidade de Guaribas melhorou, mas segue pobre. Não reconhecer méritos do programa social é um exagero e até uma injustiça, mas, 23 anos depois, ter um país com quase 50 milhões de pessoas dependendo dele é um sinal de que algo está muito errado. 

Lula em 2003 na Vila Irmã Dulce, em Teresina. Na época, presidente trouxe comitiva de ministros ao Piauí (Foto: Agência Brasil)

Em meio às idas e vindas de governos, onde algumas figuras nunca saem do jogo, o povo segue sendo meio para algo. "Se todo mundo depender de você, ninguém vai poder te abandonar", é isso que diz um interlúdio chamado 'A Síndrome do Herói', em que o interprete reflete sobre afeto e boa vontade. Na página dois, o cidadão vira número, estatísticas em pesquisas eleitorais. E por falar em números eleitorais, nada melhor que um programa social que resiste ao tempo, afinal, voto é bom o tempo todo.

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