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Andressa Martins

Repercussão de propaganda mostra falta de traquejo de Nolleto na Comunicação

Errar é humano; assumir o erro é divino. Para pessoas que pensam que são deuses isso pode parecer exagero, mas vá por mim, assumir que errou, mesmo que não tenha tido a intenção, ainda é a melhor saída.

 Secretário Marcelo Nolleto - Foto: Instagram

Diante da enorme repercussão da propaganda do Governo do Piauí com dois atores negros interpretando ladrões, chamou atenção mais uma vez a falta de habilidade da Secretaria de Comunicação (antiga CCom) de lidar com uma crise. De certo, não é tão costumeiro assim que governantes do Piauí recebam críticas ou questionamentos pela imprensa, mas uma pasta tão importante deveria estar preparada para apagar incêndios. 

Errar é humano; assumir o erro é divino. Para pessoas que pensam que são deuses isso pode parecer exagero, mas vá por mim, assumir que errou, mesmo que não tenha tido a intenção, ainda é a melhor saída.

Na peça, dois ladrões de celular são interpretados por rapazes negros

Quando o Metrópoles repercutiu a matéria do DitoIsto publicada nesta coluna, logo o perfil oficial do governador Rafael Fonteles (PT) excluiu o vídeo em questão. Não houve uma nota oficial, uma justificativa, apenas uma tentativa de apagar a história de pessoas que se sentiram agredidas com o vídeo. Na comunicação isso é visto como uma assinatura de culpa e não é preciso ser PhD para saber disso.

Horas depois o assunto se espalhava pelos maiores sites de notícias do país, tomando até programas jornalísticos na televisão. O governo silenciou e deixou que o diretor do filme Ai que Vida, que colaborou com a peça publicitária, viesse dar a cara a tapa para trazer uma justificativa. Não houve conversa, alinhamento, direcionamento. O governo deixou o problema no colo do produtor. Isso não se faz.

Mais tarde algumas pessoas, seja por má fé ou por ingenuidade, tentavam desvirtuar o caso como se nós jornalistas estivéssemos contra o produtor, o filme Ai que Vida ou os atores. Digo sem filtro: foi maldade.

Por que o governo não tomou para si a responsabilidade, assumiu o problema, pediu desculpas e aproveitou para publicizar políticas públicas voltadas para negros no Piauí? Por que deixar que jovens que estão no início de suas carreiras como artistas da internet se sintam pressionados a responder o que a Secretaria de Comunicação deveria responder?

Não sou professora, mas diante do assunto, acredito que devo dar uma breve aula de comunicação e falar um pouco sobre gestão de crise. Quando algo foge do nosso controle, seja uma notícia que nos pega de surpresa e pode trazer comentários negativos de um grupo específico da militância ou seja uma foto na praia com um investigado pela Polícia Federal, nós que assumimos o controle da situação e esse controle não é tentando calar a imprensa, é mostrando o nosso lado da história.

Secretário de Comunicação Marcelo Noletto

Lembro de quando falavam que a gestão de Rafael Fonteles era técnica, mas há aí uma incongruência crucial em uma das pastas mais importantes de todas: a Comunicação. Buscando uma utópica unanimidade entre os eleitores piauienses, a gestão consegue ser unânime dentre os técnicos que entendem sobre comunicação: não há comunicação sem jornalista. Escanteado, o ex-secretário Mussoline Guedes deve assistir as crises pelo sinal da TV Antares e os vídeos no tiktok do novo secretário Marcelo Nolleto.

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