Não precisa ser muito observador para ter percebido que agora tem “Bandeira” para todo lado no Piauí. Em comemoração ao Dia do Piauí, celebrado no próximo dia 19 de outubro, o Governo do Estado, sob o comando de Rafael Fonteles e sua trupe, decidiu fazer uma ação publicitária para incentivar o orgulho de ser piauiense.
Bandeiras foram espalhadas por todos os órgãos públicos, nas principais avenidas de Teresina e em inserções na televisão. Além disso, figuras públicas ligadas ao governo receberam um press kit contendo bandeira grande, bandeira pequena e bandeira de mesa para comemorar a data e reforçar a ação publicitária. Tudo bastante calculado.
A iniciativa de estimular o sentimento de pertencimento do piauiense é louvável e até poderia ser mais, não fosse o preço astronômico de quase R$ 14 milhões investidos na compra dos mastros e das bandeiras para a campanha. As bandeiras até que ficaram bonitas – o leitor pode discordar – e a campanha publicitária tem lá seus pontos de criatividade e de importância. Mas, por outro lado, demonstra como o governo erra na mão ao escolher suas “prioridades” e, muitas vezes, despreza necessidades mais básicas da população.
Outro ponto que não pode passar despercebido (e a intenção é também explorar isso), é a coincidência entre o símbolo do estado (bandeira) com o sobrenome do secretário de Educação, Washington Bandeira, que tem a clara predileção do governador Rafael Fonteles (PT) para disputar a vaga de vice-governador nas eleições de 2026.
Desconhecido da grande maioria do eleitorado piauiense, filiado ao PT e pessoa da estrita confiança do governador, Washington Bandeira não tem apelo político. Na semiótica, de um jeito ou de outro, esse esforço do governo para promover a peça publicitária da bandeira do Piauí vai fazer também com que o piauiense, ao menos uma parte, se acostume com o sobrenome de Washington para a refrega eleitoral de 2026.
Não dá pra fobar
Ter orgulho de ser piauiense é diferente de se orgulhar das mazelas historicamente enfrentadas pelo estado. Segundo dados do IBGE, 40% da população do Piauí enfrenta algum nível de insegurança alimentar. Além disso, o Piauí possui o maior percentual de domicílios sem banheiros no Brasil, com cerca de 164 mil pessoas nesta situação.
Não é razoável o governo fobar tanto se o Piauí é o estado que, proporcionalmente, possui o maior número de pessoas dependentes do Bolsa Família, com quase 570 mil beneficiários, quantidade maior que a de pessoas com emprego de carteira assinada no estado.
Não dá para fobar quando a água, um bem essencial básico, ainda não chega na casa de todos. O piauiense é sim orgulhoso do seu torrão, apesar dos dias ruins, das fontes inteligentes de esperteza malévola e das bandeiras milionárias que tremulam nesta terra árida e de povo pobre.







