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Andressa Martins

Bandeira para todo lado

Ação publicitária com bandeiras do Piauí tem pontos positivos, mas mostra como o governo erra na mão ao escolher “prioridades” e, muitas vezes, despreza problemas básicos.

Governo de Rafael promove ação publicitária milionária com a bandeira do Piauí

Não precisa ser muito observador para ter percebido que agora tem “Bandeira” para todo lado no Piauí. Em comemoração ao Dia do Piauí, celebrado no próximo dia 19 de outubro, o Governo do Estado, sob o comando de Rafael Fonteles e sua trupe, decidiu fazer uma ação publicitária para incentivar o orgulho de ser piauiense. 

Bandeiras foram espalhadas por todos os órgãos públicos, nas principais avenidas de Teresina e em inserções na televisão. Além disso, figuras públicas ligadas ao governo receberam um press kit contendo bandeira grande, bandeira pequena e bandeira de mesa para comemorar a data e reforçar a ação publicitária. Tudo bastante calculado.

A iniciativa de estimular o sentimento de pertencimento do piauiense é louvável e até poderia ser mais, não fosse o preço astronômico de quase R$ 14 milhões investidos na compra dos mastros e das bandeiras para a campanha. As bandeiras até que ficaram bonitas – o leitor pode discordar – e a campanha publicitária tem lá seus pontos de criatividade e de importância. Mas, por outro lado, demonstra como o governo erra na mão ao escolher suas “prioridades” e, muitas vezes, despreza necessidades mais básicas da população.

Outro ponto que não pode passar despercebido (e a intenção é também explorar isso), é a coincidência entre o símbolo do estado (bandeira) com o sobrenome do secretário de Educação, Washington Bandeira, que tem a clara predileção do governador Rafael Fonteles (PT) para disputar a vaga de vice-governador nas eleições de 2026.

Desconhecido da grande maioria do eleitorado piauiense, filiado ao PT e pessoa da estrita confiança do governador, Washington Bandeira não tem apelo político. Na semiótica, de um jeito ou de outro, esse esforço do governo para promover a peça publicitária da bandeira do Piauí vai fazer também com que o piauiense, ao menos uma parte, se acostume com o sobrenome de Washington para a refrega eleitoral de 2026. 

Marcelo Nolleto, secretário de Comunicação, deu bandeiras para prefeitas no Karnak

Não dá pra fobar 
Ter orgulho de ser piauiense é diferente de se orgulhar das mazelas historicamente enfrentadas pelo estado. Segundo dados do IBGE, 40% da população do Piauí enfrenta algum nível de insegurança alimentar. Além disso, o Piauí possui o maior percentual de domicílios sem banheiros no Brasil, com cerca de 164 mil pessoas nesta situação. 

Não é razoável o governo fobar tanto se o Piauí é o estado que, proporcionalmente, possui o maior número de pessoas dependentes do Bolsa Família, com quase 570 mil beneficiários, quantidade maior que a de pessoas com emprego de carteira assinada no estado.

Não dá para fobar quando a água, um bem essencial básico, ainda não chega na casa de todos. O piauiense é sim orgulhoso do seu torrão, apesar dos dias ruins, das fontes inteligentes de esperteza malévola e das bandeiras milionárias que tremulam nesta terra árida e de povo pobre.

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