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Foto com empresário preso em operação da PF compromete Rafael, que silencia

Imagem extraída de rede social da primeira-dama mostra relação de amizade do gestor com o empresário.

Governador Rafael Fonteles (Foto: DitoIsto)

Horas depois da operação da Polícia Federal que desmantelou nesta terça-feira (30) um esquema criminoso em contratos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), uma foto ganhou repercussão nas redes sociais. Publicada primeiro pelo jornalista José Ribas Netto, a imagem extraída do Instagram da primeira-dama Isabel Fonteles mostra o governador Rafael Fonteles em momento de lazer com um dos empresários presos na operação.

Após a repercussão da operação, a primeira-dama apagou a foto das redes sociais.

Bruno Santos Leal Campos é da empresa Big Data Health, cujos vários contratos milionários com o Governo do Estado viraram alvos da Polícia Federal e levaram à operação desta terça. A foto mostra o governador com Bruno, que é médico, numa praia do interior do Ceará. Os dois estão com as famílias, numa diversão com bebida e churrasco.

Rafael em momento de lazer com empresário Bruno Santos Leal, que foi preso pela PF

A imagem evidencia, claramente, a amizade entre eles. Mais que isso: mostra também a proximidade privilegiada entre o empresário com vários contratos no governo estadual e a figura do governador. Não há como contestar esses detalhes, afinal, ninguém viaja para outro estado e curte praia e bebe com um governador e sua família sem que haja uma relação de forte amizade. O próprio fato de a primeira-dama ter postado o momento de lazer deixa confirmada a relação de amizade.

Rafael Fonteles não foi alvo da operação desta terça, mas, por envolver um esquema de fraude milionária em um órgão do seu governo e, principalmente, devido à relação com o empresário preso, ele deveria ter vindo a público e se manifestado sobre a ação da PF. Bastante ativo nas redes sociais, o gestor não publicou uma linha sequer sobre o episódio. No site do Governo do Piauí também não há menção à operação policial.

A Secretaria de Saúde é a principal pasta do Governo do Estado e vinha sendo, segundo a PF, surrupiada por um esquema criminoso. Isso já seria razão suficiente para o governador se manifestar. A revelação da foto com o empresário aumentou – e muito – a necessidade de um posicionamento. Diante de todas as circunstâncias, o silêncio de Rafael causa espécie.

A operação

Carros da Polícia Federal na sede da Secretaria Estadual de Saúde (Divulgação/PF)

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU/PI) e o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE/PI), deflagrou nesta terça-feira (30/9) as operações OMNI e Difusão, com o objetivo de desmantelar esquemas criminosos milionários envolvendo contratos referentes à saúde no estado do Piauí.

No âmbito da Operação OMNI, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 22 de busca e apreensão nas cidades de Teresina, Timon/MA, Araguaína/TO, Brasília/DF, Goiânia/GO, São Paulo/SP e Curitiba/PR. Além disso, a 3ª Vara da Justiça Federal no Piauí determinou a suspensão de contratos, o afastamento de um servidor público e o bloqueio de cerca de R$ 66 milhões dos investigados, valor referente ao esquema de superfaturamento de contratos na Sesapi.

Já em relação à Operação Difusão, as contratações irregulares investigadas envolviam a Sesapi e a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS), órgão da prefeitura.

Dinheiro apreendido durante operação nesta terça-feira (Divulgação/PF)

As investigações apontam indícios de direcionamento e conluio em chamamento público da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI) para contratação da Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela gestão de hospitais estaduais, em especial do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba/PI. Há suspeitas de superfaturamento, lavagem de dinheiro, conflito de interesses e falsidade ideológica em contratos milionários, incluindo o fornecimento de software de gestão em saúde.

Foram presos os empresários Bruno Santos Leal e Nemésio Martins de Castro Neto, da empresa Big Data Health. Bruno, que aparece na foto com o governador, é também vice-presidente do LIDE Piauí – Grupo de Líderes Empresariais, dos quais Rafael já participou de eventos. Ele também atua no clube de futebol Atlético Piauiense.

Segundo a PF, o esquema criminoso permitia o repasse de dinheiro público a pessoas físicas e organizações, como forma de criar uma rede proteção que dificultava a identificação dos verdadeiros destinatários do dinheiro desviado.

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