Em junho de 2022, o deputado federal Merlong Solano criticou duramente um corte feito pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) no orçamento das universidades federais. Professor da Universidade Federal do Piauí, o petista classificou o corte promovido na gestão bolsonarista como “abandono e desmonte da educação superior no Brasil”.
Na época, o corte era de R$ 3,2 bilhões para as instituições de todo o país. A Universidade Federal do Piauí seria atingida com uma perda de cerca de R$ 15 milhões.
Com Lula, o discurso é outro
Nesta segunda-feira (25), ao chegar para participar de uma reunião na reitoria da UFPI, Merlong foi perguntado sobre os cortes no orçamento da universidade promovidos já no governo Lula (PT). Diferente do que dizia em 2022, o deputado petista agora afirma o governo precisa cortar gastos e não pode deixar nenhuma área de fora. Segundo ele, na hora da dificuldade todo mundo tem que contribuir com as medidas de contingenciamento do governo.
“Essa questão do corte do orçamento é uma coisa mais complexa. A gente sabe do engessamento do orçamento público no Brasil, tanto dos municípios quanto dos estados e da União. No caso da União, em função do grande peso da dívida pública. Isso é uma coisa que, quando tem necessidade de cortar, não dá para fugir do corte em todas as áreas. Cada vez que você exclui uma área do contingenciamento, aumenta o corte nas outras áreas. Na hora da dificuldade, todo mundo tem que contribuir um pouquinho. Na hora da bonança, todo mundo tem que receber de volta. É esse o meu pensamento”, falou Merlong.
Cortes na UFPI
De acordo com a reitora Nadir Nogueira, o orçamento da Universidade Federal do Piauí vem sendo reduzido anualmente desde 2015, quando a presidente ainda era a petista Dilma Rousseff. Em relação a 2025, a reitora diz que o corte no orçamento da instituição foi de R$ 6,3 milhões, embora tenha havido uma recomposição de parte desse valor.
Nadir afirma que a universidade está conseguindo pagar as contas porque tem feito uma gestão eficiente, priorizando serviços essenciais para o funcionamento das atividades mais importantes, como assistência estudantil e permanência dos alunos.
No começo do ano, o governo Lula congelou R$ 31,3 bilhões do orçamento do Ministério da Educação destinado às universidades e instituitos federais. Depois, anunciou R$ 400 milhões em recomposição orçamentária gradual para as instituições.
Assista o vídeo e veja como Merlong mudou de postura:







