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Dirceu Arcoverde: AVC na tribuna do Senado e trajetória interrompida precocemente

Senador piauiense passou mal quando fazia primeiro discurso na tribuna e morreu aos 53 anos.

Matéria do jornal O Estado noticia doença de Dirceu (Acervo/Arquivo Público do Piauí)

No dia 9 de março de 1979, um episódio marcou a política do Piauí. O então senador Dirceu Mendes Arcoverde (Arena) fazia o seu primeiro discurso na tribuna do Senado Federal. Ele tinha tomado posse apenas 44 dias antes. Dirceu foi eleito senador em 1978 numa campanha eleitoral difícil contra o ex-governador Alberto Silva.

O político piauiense levou um discurso escrito, embora tenha iniciado a fala sem se ater ao papel. Ele falava justamente sobre a política de saúde pública no Brasil. Falou por pouco mais de 30 minutos e recebeu apartes dos senadores Jarbas Passarinho (Arena-PA), José Lins (Arena-CE), Henrique Santilo (MDB-GO) e Aloísio Chaves (Arena-PA).

Somente no final do discurso, Dirceu Arcoverde demonstrou estar passando mal. O senador foi tendo dificuldade para dar eloquência à fala e para fazer o gestual com os braços, mas prosseguiu e chegou a finalizar o pronunciamento. Porém, logo ao concluir, caiu sobre a tribuna. Ele foi socorrido por alguns senadores e por funcionários da mesa diretora e levado, de início, para o serviço médico do Senado. O senador pernambucano Nilo Coelho, que presidia a sessão, suspendeu os trabalhos.

Momento em que Dirceu é amparado por senadores (Foto: Cecé/Correio Braziliense)

Depois, Dirceu foi levado para o Hospital Universitário de Brasília, à época com o nome de Hospital do Distrito Federal Presidente Médici. O senador piauiense ficou internado em estado grave por sete dias. Ele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Apesar das correntes de orações que se formaram por todo o Piauí, Dirceu morreu no dia 16 de março.

Dirceu tinha apenas 53 anos. O corpo do piauiense foi velado por cerca de uma hora no Salão Negro do Senado antes de ser trazido de avião para Teresina. O então presidente da República João Baptista Figueiredo, que acabara de assumir a Presidência, esteve no velório dele no Senado. 

O presidente João Figueiredo (à esquerda) no velório de Dirceu no Salão Negro do Senado

Comoção no Piauí
A notícia da morte de Dirceu causou forte comoção no meio político e, principalmente, na população do Piauí. Antes de ser senador, ele tinha sido secretário de Saúde no primeiro governo de Alberto Silva e governador do estado de 1975 a 1978. Em seu governo fez obras marcantes, como o Ginásio Verdão, o Parque de Exposições, o Centro Administrativo do Estado e a Estação de Tratamento de Água (ETA) na Zona Sul de Teresina, obra primordial para o abastecimento da capital até os dias atuais.

Além da atuação como político, Doutor Dirceu, como era chamado pela maioria, foi um médico reconhecido pela dedicação e pela grande sensibilidade com as pessoas. O velório e o sepultamento do político em Teresina reuniram milhares de piauienses. O jornal O Estado, que fez uma das coberturas mais completas da morte de Dirceu, mostrou em detalhes o clima de comoção provocado pelo desaparecimento do senador.

Multidão na despedida de Dirceu em Teresina (Foto: Jornal O Estado)

Até mesmo no dia seguinte ao sepultamento, realizado no cemitério São José, em Teresina, centenas de pessoas fizeram romaria para visitar o túmulo do político. As homenagens a ele se seguiram por vários dias, com discursos de políticos, aliados e adversários, na Assembleia, na Câmara Federal e no Senado.

Vários artigos e publicações em jornais também destacaram o legado de Dirceu Arcoverde.

Matérias no jornal O Estado: uma sobre a romaria à sepultura do senador; a outra quando ele ainda estava em estado grave e Lucídio Portella voltou a Teresina trazendo poucas esperanças.

Centenário 
No próximo dia 7 de setembro, fará 100 anos do nascimento de Dirceu. Ele nasceu na cidade de Amarante, distante 170 km de Teresina.

Um documentário dirigido pelo publicitário George Mendes será lançado para marcar o centenário de nascimento do homem e político Dirceu. A produção audiovisual é fruto de uma rica e detalhada pesquisa, somada a depoimentos marcantes e materiais inéditos.

Dirceu foi secretário de saúde na 1ª gestão de Alberto Silva, depois governador e senador. 

Ao longo dos anos, Dirceu foi recebendo homenagens por todo o Piauí. Obras feitas em seu governo depois ganharam o seu nome, a exemplo do Ginásio Verdão, o Hospital da Polícia Militar e o Parque de Exposições, em Teresina. Oficialmente, as três estruturas têm o nome do ex-governador e ex-senador piauiense. Na capital, há também o bairro Dirceu Arcoverde, na Zona Sudeste, um dos maiores e mais populosos.

Artigo em jornal em homenagem a Dirceu após o AVC (Jornal O Estado)

O ex-governador e ex-senador também dá nome ao maior hospital público da região norte do Piauí, o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba. Na mesma cidade, também há um estádio de futebol – o Verdinho – que recebe seu nome.

Em novembro de 1979, oito meses após a morte de Dirceu, o povoado Bom Jardim, no Sul do Piauí, foi emancipado e passou a ser cidade com o nome de Dirceu Arcoverde. 

Morte de Dirceu abalou a classe política do Piauí

Homenagem
Um dos filhos de Dirceu, o advogado e empresário Júlio Arcoverde, seguiu os passos do pai e entrou para a política. Foi deputado estadual no Piauí por dois mandatos e atualmente está no primeiro mandato de deputado federal. Depois de empossado, Júlio escolheu justamente o dia 9 de março de 2023 para fazer sua estreia na tribuna da Câmara dos Deputados, data em que completava 44 anos do discurso de Dirceu na tribuna do Senado.

Reportagem
O DitoIsto fez uma reportagem especial sobre Dirceu Arcoverde. A produção em vídeo conta detalhes da carreira política e resgata imagens marcantes de sua vida pública, inclusive do episódio na tribuna do Senado que interrompeu precocemente sua trajetória.

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