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Pautar impeachment de Moraes cabe apenas a Davi Alcolumbre

Não importa quantos senadores são a favor ou não do impeachment, quem decide o que vira pauta é o presidente do Senado.

 Bolsonaristas ocupam Senado e prometem não sair / Foto: Reprodução/Instagram

Mesmo com a pressão de parlamentares pró-Bolsonaro, o presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP) descartou, na quarta-feira (6), a possibilidade de pautar os pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre mostrou o que alguns não querem enxergar: não importa quantos senadores são a favor do impeachment, quem decide o que vira pauta é ele, o presidente da Casa. 

Presidente do Senado Davi Alcolumbre / Foto: Agência Senado
Presidente do Senado Davi Alcolumbre / Foto: Agência Senado

Alguns deputados, senadores e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro iniciaram uma frenética caçada aos senadores. Listam os que são contra e os favoráveis ao impeachment do ministro. O piauiense Ciro Nogueira (Progressistas) é um dos mais cobrados. Ele disse que não vai assinar. 

Contudo, a abertura de um processo de impeachment do ministro do STF não depende da assinatura de Ciro ou de qualquer outro senador. Pode ter 70 assinaturas, se Alcolumbre não quiser - e ele não quer -, o pedido de abertura não é aceito. 

A votação só pode acontecer seguindo os ritos do Senado. É um dos passos iniciais é o presidente do Senado aceitar.

E, mesmo que Alcolumbre aceitasse tal pedido, ainda não seria a certeza de impeachment de Alexandre de Moraes. Nessa hipótese (de aceitação do pedido), seria formada uma comissão para apresentar um parecer em até 10 dias. Esse parecer é votado e, se obtiver maioria simples (41 dos 80 senadores), o processo seria oficialmente instaurado. 

Aberto o processo, vem o passo seguinte. Seriam necessários 54 votos (maioria qualificada) para o impeachment ser aprovado e Moraes deixar a Suprema Corte.

Os leigos ainda não entenderam que existem políticos apenas aproveitando os holofotes, na frente das câmeras, com frases de efeito. Eles, no entanto, não decidem nada. A política em Brasília não é decidida no grito.

Política é a arte de influenciar, de se movimentar, de ditar as regras na calma, sem gritaria e sem câmeras ligadas. Em Brasília, os que de fato têm o poder de alterar rotas e definir destinos são os pragmáticos, que preferem os bastidores. Eles sabem que poder nem sempre é estar no front recebendo aplausos ou críticas, mas sim cochichar no ouvido de quem, de fato, decide.

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