(Foto: Laura Cardoso/DitoIsto)
Tem repercutido nos últimos dias uma sequência de perguntas feitas pelo jornalista Gustavo Almeida, do Dito Isto, ao governador Rafael Fonteles (PT). O profissional de imprensa questionou o gestor sobre um áudio em que um vereador do interior diz ter ouvido de um empresário que o governador pediu R$ 2 milhões em propina numa obra no município de Dom Inocêncio. Muitos passaram a compartilhar a matéria e falar da coragem do jornalista em perguntar, enquanto o restante da imprensa se calou.
Conhecendo bem a trajetória profissional e pessoal de Gustavo, sua coragem em questionar não me é estranha. O que me assusta é o silêncio de grande parte da imprensa quando assuntos importantes devem ser debatidos.
Vale ressaltar que muitos jornalistas queriam fazer perguntas sérias, exercendo a real missão do jornalismo, onde questionamentos que incomodam são (ou deveriam ser) rotineiros. Muitos, porém, são podados pelos seus veículos de comunicação, que no Piauí dependem majoritariamente de governos, sejam eles estadual ou municipal.
Em meio à essa realidade, me pergunto quando foi que nós jornalistas passamos a ser tão compassivos com governantes que não querem se deparar com o mínimo de questionamento, de contestação, de crítica. Essa compassividade que beira à subserviência não começou agora, mas, sem dúvida, está mais forte agora. Alguns profissionais não podem perguntar, embora quisessem. Porém, há os que sequer se incomodam em não poder perguntar. Acham cômodo serem tolhidos profissionalmente.
Políticos não devem ter medo de perguntas, nem ignorar ou tentar fugir de jornalistas. Ainda somos, querendo ou não, uma caixa de ressonância da sociedade, que não aguenta mais esse modelo político defasado que vigora no Brasil.
Diante dessa realidade em que a imprensa muitas vezes silencia, de jovens jornalistas que sequer aprenderam a perguntar, e de velhos jornalistas que se acostumaram a calar, o jornalismo independente chega de mansinho. Não é perfeito nem dono da razão, mas, em seu DNA, se aproxima muito mais daquilo que o povo precisa saber, pergunta aquilo que o cidadão não tem oportunidade de perguntar e incomoda governantes acostumados com a complacência e com o “bom tratamento” da mídia.
Finalizo esse artigo lembrando de um querido amigo, o jornalista Francisco Magalhães (in memoriam), que me ensinou muito com apenas uma frase: “Para a maioria dos políticos, os jornalistas são como os garçons. Só somos bons enquanto estamos ‘servindo’ e nada mais”.
Uma frase para refletirmos e, principalmente, para despertar a nossa inquietação enquanto profissionais de imprensa.







