O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), conselheiro Kennedy Barros, avalia que o despreparo de gestores públicos é, muitas vezes, tão danoso quanto a corrupção. De acordo com ele, um gestor despreparado e sem o devido conhecimento pode lesar a administração pública mesmo que não tenha a intenção.
“Muitas vezes a gente fala em combate à corrupção. Esse é o papel número um da instituição [TCE-PI]. A corrupção é algo inaceitável. Agora eu lhe pergunto: só se lesa a gestão com corrupção? Não. Se lesa também com despreparo. Às vezes, sem saber, você causa um prejuízo tão ruim, tão danoso como o ato consciente de causar dano que é a corrupção. Ou seja, despreparo é também uma situação de desperdício público.”, falou.
Diante dessa realidade, Kennedy destaca o papel do tribunal de não apenas punir, mas também de orientar e educar os gestores. O conselheiro citou o exemplo das gastanças com festas em municípios que declaram situação de emergência e têm dificuldades até mesmo para comprar remédios e manter serviços básicos. Segundo ele, muitos prefeitos já estão compreendendo que não se deve fazer isso.
“O acompanhamento é nessa lógica [de também educar], através do treinamento. Com relação às festas, é uma questão a ser meditada. É razoável, por exemplo, um município decretar emergência e ao mesmo tempo fazer uma festa de aniversário gastando R$ 1 milhão com uma banda famosa? Quer dizer, eu não tenho dinheiro para remédio e tenho para uma banda famosa.”, comentou Kennedy.
Incentivo aos artistas locais
Sobre os gastos exagerados com festas, o presidente do TCE-PI levantou uma discussão. Segundo ele, os municípios devem ter uma política pública de cultura local, com a valorização de talentos da região que são capazes de fazer boas festas com cachês mais baratos. Kennedy lembrou que todos os artistas famosos um dia também foram pequenos.
“Por outro lado, eu pergunto: e a política pública de cultura local. Quantos artistas locais, com pequenos cachês, poderiam fazer parte de uma festa dessa e deixá-la tão grandiosa quanto? Eu faço um questionamento: qual desses cantores e bandas famosas que um dia não foram pequenos? Por que eles ficaram grandes? Porque eles demonstraram talento. Todos esses cantores sertanejos, esses cantores baianos começaram cantando em pequenos espaços e, por terem talento, viraram grandes astros da música. Será que em nossos municípios nós não temos esses talentos? Temos sim. Então, é o apoio à cultura que dá essa garantia”, finalizou o presidente do TCE-PI.
Veja a fala de Kennedy:







