A Polícia Civil do Piauí, por meio da Delegacia de Combate à Corrupção, instaurou um inquérito policial para investigar denúncias feitas pelo vereador Petrus Evelyn (Progressistas) contra cinco pessoas, entre elas dois vereadores e um ex-vereador de Teresina. A investigação é conduzida pelo delegado Ferdinando Martins.
Na última terça-feira (8.jul.2025), o delegado encaminhou ofício ao juiz Valdemir Ferreira dos Santos, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, informando a abertura do inquérito e pedindo 60 dias de prazo para finalizar as diligências.
Os envolvidos
Além do próprio Petrus Evelyn, que figura no procedimento na condição de “vítima/noticiante”, são envolvidos no inquérito policial os vereadores Eduardo Draga Alana (PSD), Samantha Cavalca (Progressistas), o ex-vereador Antônio José Lira, o assessor parlamentar Rafael Dias e o blogueiro Fernando Campos. Este último está preso acusado de tentativa de feminicídio.
A motivação do inquérito foi uma denúncia formalizada na Delegacia de Combate à Corrupção pelo vereador Petrus. O parlamentar denuncia que quatro dos cinco investigados divulgaram vídeos em que o acusam de, na condição de presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Águas de Teresina, ter recebido propina da referida empresa com o objetivo de barrar os trabalhos da comissão. Já o vereador Draga Alana, segundo relato de Petrus à polícia, endossou as acusações na tribuna da Câmara Municipal.
Petrus afirma que as acusações são falsas e orquestradas pelos investigados, por isso procurou a polícia para denunciar e cobrar apuração do que considera ser uma armação contra ele.
O que dizem os citados
Procurado pelo DitoIsto, o ex-vereador Antônio José Lira afirmou que quem tem que provar que não recebeu dinheiro da Águas de Teresina é o próprio Petrus Evelyn. O ex-parlamentar afirmou ainda que, em grupo de WhatsApp, apenas opinou sobre a subconcessão dos serviços de água e esgoto para a empresa, medida que ele votou contra na Câmara Municipal quando foi vereador entre 2013 e 2016. “Se a carapuça caiu nele, quem tem que dizer se recebeu ou não o dinheiro é ele”, falou.
O vereador Eduardo Draga Alana disse, por meio da assessoria de imprensa, que não tem conhecimento da abertura do inquérito policial. “O vereador Eduardo Draga Alana (PSD) informa que desconhece a existência de qualquer investigação criminal que envolva o seu nome. Reitera que sempre manteve sua atuação no campo do debate político e institucional, com responsabilidade no exercício do mandato e respeito ao plenário. O vereador se coloca à disposição das autoridades para colaborar com o que for necessário.”, afirma em nota.
A vereadora Samantha Cavalca também se manifestou por meio de nota: "Eu não fui notificada. Mas se for, estou a disposição. Quem tem medo de polícia é bandido. Eu não tenho. A polícia anda vasculhando os que estão perto do vereador Petrus. Foi até fazer busca e apreensão na casa de um assessor dele essa semana. O vereador Petrus não tinha como justificar a inação do trabalhos da CPI. Ao invés de trabalhar, preferiu se vitimizar e atacar quem identificou a malandragem dele. Eu tenho liberdade de expressão e de opinião, defendo a minha, a do Petrus e de qualquer cidadão desse país. O que eu ouvi sobre a CPI, eu repeti e identifiquei a autoria de forma clara, transparente e direta. Petrus tem que dar explicações. Criou uma CPI, fez um circo, enganou o povo. A CPI, como todos viram, não deu em nada. O povo não deve ser enganado. E não serei calada."
O assessor parlamentar Rafael Dias não deu retorno até a publicação desta reportagem.
O DitoIsto não conseguiu contato com Fernando Campos, que está preso desde o dia 26 de junho.







