Assim que começou o ano de 2026, o prefeito de São Raimundo Nonato, Rogério Castro (MDB), foi para um programa local e afirmou que o ex-prefeito Avelar Ferreira, seu aliado político, teria mais de 15 mil votos para deputado estadual na cidade. E não parou por aí: esbanjando vaidade política, falou que “iria deixar” o deputado estadual Hélio Isaías (PT), marido da ex-prefeita Carmelita, ter só 3,5 mil ou 4 mil votos no município.
A votação que ele projetava para Avelar Ferreira era tão estrondosa que superaria a que ele mesmo teve para prefeito em 2024, quando foi eleito com pouco mais de 12 mil votos. Vale lembrar que, desses 12 mil votos obtidos pelo prefeito, grande parte era do próprio Avelar, cujo apoio no pleito municipal foi decisivo para eleger Rogério.
Na época, este portal DitoIsto analisou a pretensão audaciosa do prefeito em anunciar que seu candidato teria mais de 15 mil votos em São Raimundo. Da mesma forma, criticou o fato de o gestor dizer que “só deixaria” o adversário Hélio Isaías ter entre 3,5 mil e 4 mil votos, como se a vontade popular estivesse totalmente sob suas rédeas.
Eis que chegou a eleição. Ao final da apuração no domingo (4.out.), Avelar Ferreira teve 6.224 votos para deputado estadual em São Raimundo, número muito aquém da projeção feita por Rogério Castro. Importante dizer que foi uma votação expressiva, sendo o mais votado na cidade, porém, totalmente fora da meta atabalhoada do prefeito.
Avelar já foi prefeito de São Raimundo por três mandatos, é de uma família tradicional da política local e, observado isso, não é difícil imaginar que ele, mesmo se não tivesse o apoio do atual prefeito, teria boa parte desses votos em seu município.
Rogério Castro também errou na votação que projetou para Hélio Isaías. Como mencionado antes, ele disse que “deixaria” o deputado ter entre 3,5 mil e 4 mil votos em São Raimundo Nonato. Hélio superou a projeção negativa do prefeito e teve quase 5 mil votos, sendo reeleito para o sétimo mandato seguido na Assembleia Legislativa. Avelar Ferreira, por sua vez, teve 14.922 em todo estado e ficou na 5ª suplência do MDB.
O resultado deixa uma lição para Rogério Castro: não se faz política com euforia. Em disputas eleitorais, a soberba não pode, jamais, ocupar o espaço da sensatez.



