O primeiro debate das eleições de 2026 no Piauí foi insosso e pouco atrativo. Não pelo formato, mas pelo desempenho dos candidatos. Faltou tesão, faltou emoção, faltou agitação. Só quem fez barulho – mas de forma muito negativa e vexatória – foi o candidato Gustavo Henrique Feijó (Avante), cujo único objetivo foi atacar o candidato Joel Rodrigues (PP) em cada minuto em que lhe foi dada a palavra.
Joel, principal candidato de oposição, não deve perder tempo com Gustavo Henrique, mas também não deveria ter sido tão brando, tão parcimonioso, ainda mais quando se sabe a quem o seu algoz de ocasião está servindo.
No confronto com o governador Rafael Fonteles (PT), Joel também poderia ter sido mais duro e incisivo. Num estado recheado de problemas graves que a milionária propaganda oficial tenta esconder, Joel poderia ter colocado o petista contra a parede, mas não o fez. Rafael nem teve a oportunidade de repetir o seu tradicional e já batido “não sei, não tô sabendo”, afinal, não recebeu nenhum questionamento comprometedor.
O governador passou o debate inteiro como se estivesse dando entrevista nos estúdios das TVs amigas do seu governo, lançando números questionáveis e mostrando um Piauí maravilhoso, sem ser contestado de forma contundente, sem ser incomodado.
Debate em TV não é lugar para baixarias, mas, ao mesmo tempo, não é lugar para conversa insossa, para excesso de zelo nas palavras e tampouco para críticas comedidas. O telespectador quer ver firmeza, contestação, quer ver um debate quente.
Os candidatos Gisvaldo Oliveira (PSOL) e Lúcia Santos (PSDB) tiveram momentos positivos, guardadas as devidas proporções e considerando o tamanho de suas candidaturas dentro do processo eleitoral. Ambos se saíram bem, podemos avaliar assim.
Contudo, o confronto mais esperado, entre Joel e Rafael, não correspondeu às expectativas de quem estava ansioso para assistir. O governador, pouco acostumado a ser confrontado no céu de brigadeiro da mídia piauiense, não viu cenário tão diferente nesse primeiro debate. Quanto a Joel, precisa mostrar mais indignação, elevar o tom da crítica, expor contradições e tirar o seu principal oponente da zona de conforto.
No debate da Band, Rafael Fonteles apresentou o Piauí da sua propaganda milionária, mas Joel falhou na tarefa de mostrar o Piauí da vida real. Que os próximos sejam melhores e tenham a acidez necessária. Não acidez de laranja, mas sim de ousadia política.





