O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou nesta terça-feira (30) o afastamento temporário do juiz Valdemir Ferreira Santos das atividades no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (TJ-PI). O magistrado é suspeito de favorecer investigados da operação Carbono Oculto 86, que apura um grupo supostamente ligado ao PCC com atuação no setor de postos de combustíveis no Piauí.
Natural de Aracaju, no estado de Sergipe, Valdemir Ferreira Santos já recebeu títulos de cidadania piauiense e teresinense. Na Câmara Municipal de Teresina, teve até proposição duplicada para homenagear o juiz.
No dia 16 deste mês, o vereador e delegado de Polícia Civil James Guerra (Avante) propôs concessão de cidadania teresinense para o magistrado, justificando que ele tem “trajetória profissional marcada pelo compromisso com a Justiça”. A proposição só não avançou porque o setor de triagem da Câmara identificou que o juiz já foi agraciado com o título de cidadão teresinense, concedido em 2025 pelo vereador Zé Filho (PSD).
Na Assembleia Legislativa do Piauí, Valdemir Ferreira recebeu título de cidadania piauiense em outubro de 2023. A honraria foi proposta pela deputada estadual Bárbara do Firmino, cujo marido Breno Macedo é advogado criminalista e pré-candidato a deputado estadual pelo PV nas eleições deste ano.
O AFASTAMENTO
De acordo com o CNJ, o juiz teria tomado decisões fora de sua área de atuação e interferido em processos para supostamente beneficiar os investigados da operação Carbono Oculto 86.
Entre as suspeitas contra ele estão o arquivamento de investigação mesmo após a denúncia do Ministério Público, a revogação de medidas impostas pela Justiça e a retirada de provas de processo que tramitava em outra vara.





