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CCJ aprova projeto de Flávio Nogueira que aumenta pena para quem ameaçar mulheres com mensagens via PIX

Político defende atualização da legislação penal diante do uso indevido de meios digitais para cometimento de crimes.

Dep. Flávio Nogueira (Divulgação/Ascom)

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (16.jun.) o projeto de lei 4220/2025, de autoria do deputado federal Flávio Nogueira (PT). A proposta atualiza a legislação penal e prevê aumento de pena para os crimes de ameaça, perseguição (stalking) e violência psicológica contra a mulher, quando tais delitos forem cometidos por meio do campo de mensagens do PIX.

“Com esse projeto, procuro responder, de forma dura, a uma prática criminosa que tem se tornado comum no país, em que agressores enviam mensagens ameaçadoras e injuriosas a mulheres, usando o campo de notas do PIX, durante operações de transferências de pequenos valores, a partir de um centavo”, explica Flávio Nogueira. 

Conforme o deputado, os principais agressores são pessoas com medidas restritivas penais e redes sociais bloqueadas, que recorrem ao PIX para o envio de mensagens.

Ciclo de violência
O parlamentar piauiense, que é secretário de Inovação Legislativa da Câmara, defende a atualização da legislação penal diante do uso indevido de ferramentas digitais, incluindo o PIX, sistema de pagamento instantâneo brasileiro.

“As novas tecnologias podem alterar o ‘modus operandi’ dos criminosos, dando origem a novas modalidades de crimes. Nesse sentido, precisamos estar atentos para impedir ou pelo menos punir os crimes cometidos no mundo digital. E o objetivo do meu projeto de lei é combater uma prática que perpetua ciclos de violência psicológica e atinge, diretamente, mulheres que buscam se afastar de seus agressores”, argumenta.

Apesar de registros revelarem o uso inadequado da ferramenta, o deputado é um entusiasta do PIX e, nesse sentido, usou a tribuna da Câmara, nesta quarta-feira (17), para defender o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central. “O PIX e a urna eletrônica são as duas principais referências globais tecnológicas desenvolvidas no Brasil. Foram criadas para o bem, têm grande impacto positivo na vida das pessoas, e não podem ser usadas por criminosos em um desvio de finalidade”, observou.

Recorde de transações
O PIX é o meio de pagamento mais popular do Brasil, com quase 180 milhões de usuários. E é um instrumento utilizado, diariamente, por dezenas de milhões de pessoas. Em cinco de dezembro de 2025, por exemplo, o PIX bateu seu recorde diário, registrando mais de 313 milhões de transações em apenas 24 horas. E, ao longo do ano passado, o PIX movimentou R$ 35,35 trilhões, com crescimento de 33% em relação a 2024.

Soberania nacional
O sucesso do PIX, que se tornou símbolo da soberania financeira e digital do Brasil, virou instrumento de debates geopolíticos, com os Estados Unidos alegando que o sistema brasileiro prejudica os concorrentes estrangeiros. 

“Na verdade, o PIX incomoda os Estados Unidos porque é um sistema eficiente, criado no Brasil, e que ameaça os negócios de grandes empresas americanas de pagamentos, como Visa, Mastercard, American Express e Paypal. Portanto, temos mais motivos para defender o nosso PIX”, afirmou o deputado.

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