O ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT) disse em entrevista ao Estadão, publicada nesta quarta-feira (18.fev), que não vê razão para petistas terem comemorado o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter escolhido o filho Flávio para enfrentar Lula na eleição deste ano. Na avaliação dele, a reeleição do atual presidente será mais difícil na disputa com Flávio Bolsonaro do que se fosse com o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.
A pedido de Lula, João Paulo Cunha será candidato a deputado federal nas eleições deste ano, numa volta às disputas eleitorais depois de ter chegado ao auge da carreira, sendo presidente da Câmara dos Deputados e, anos depois, indo parar na cadeia condenado por currupção no caso do Mensalão.
Hoje um dos conselheiros políticos de Lula, o petista histórico avalia que a rejeição do sobrenome Bolsonaro já atingiu o seu limite, assim como a do próprio presidente. Por isso, segundo ele, nada que a campanha petista fizer será capaz de levar mais eleitores a rejeitar Flávio. Diante disso, ele fala que a rejeição do sobrenome Bolsonaro (o que levou petistas a comemorarem a escolha de Flávio) já não é um problema para a candidatura do filho do ex-presidente, que ele considera forte.
“Eu não sei direito por que comemoraram. Do meu ponto de vista, a candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada do que a do Flávio. É o contrário. Nos períodos recentes, governador de São Paulo não ganha eleição no Brasil. O padrão cultural de gestão paulista não entra no Brasil. São Paulo perdeu com Doria, que não conseguiu ser candidato, com Serra, com Alckmin, com Covas, com Quércia, com Montoro. Em segundo lugar, a rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaro, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula. O Tarcísio é um candidato novo, meio desconhecido no Brasil, um carioca que deu certo em São Paulo, não tem charme, não tem carisma. Quando ele começar a fazer campanha no Brasil e todo mundo começar a criticar, a rejeição dele pode passar a do Flávio. Essa história de que o Tarcísio seria mais difícil (de derrotar do que o Flávio) eu acho que é uma bobagem.”, disse João.
Questionado se acha que a disputa de 2026 será tão acirrada quanto a de 2022 entre Lula e Bolsonaro, cujo pleito terminou praticamente empatado em termos percentuais, João Paulo Cunha respondeu que a disputa será pau a pau entre Lula e o filho do ex-presidente.
“Eu acho que vai ser acirrada e vai ser uma disputa pau a pau.”, disse.
O petista também considera não haver espaço para uma terceira via competitiva na disputa presidencial e citou que a tentativa de Gilberto Kassab de emplacar um candidato ao Planalto não tem chances de sucesso. Para ele, as intenções de Kassab são outras.
“Alguém acha que o Zema vai apoiar o Ratinho ao invés de apoiar o Flávio Bolsonaro? Que o Ronaldo Caiado, sendo preterido, vai apoiar o Ratinho em detrimento do apoio ao Flávio Bolsonaro? Não sei de onde o Kassab tirou isso. No fundo, o secretário Gilberto Kassab é uma pessoa muito experiente, muito habilidosa, mas a minha impressão é que ele está fazendo esse jogo nacional para garantir uma boa posição no Estado de São Paulo. Porque, se depender da articulação em torno do governador Tarcísio, ele está fora da vice.”, analisou.
João Paulo Cunha foi deputado federal pelo estado de São Paulo por vários mandatos e presidente da Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005, no primeiro governo Lula. Ele foi condenado no escândalo do Mensalão e preso em 2014. Cumpriu quase dois anos de prisão (contando os regimes fechado e domiciliar) e depois obteve perdão da pena no Supremo Tribunal Federal (STF).







